quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

QUEM NÃO SE ARRISCA...


Quem não se arrisca não petisca. Este é um ditado que escuto há muito tempo. Não sei em que contexto ele surgiu, mas creio que a mensagem que ele quer transmitir é que aquelas pessoas que não estão dispostas a arriscar, nunca desfrutarão de uma vitória genuinamente sua.
Lembrei-me deste ditado ao ler o livro O Silêncio de Adão. Nele conheci a história de Alberto Andrews. Como todo garoto norte-americano, assim imagino, Alberto foi iniciado no beisebol. Nas primeiras vezes que jogou como rebatedor (o que fica com o taco tentando acertar a bola) ele foi eliminado durante vários jogos por não conseguir acertar a bola. O esporte deixou de ser prazeroso para ser embaraçoso.
Mas naquela temporada ele fez uma descoberta que iria moldar sua vida. Percebeu que vários outros jogadores também não conseguiam rebater, mas não eram eliminados, e ainda conseguiam avançar algumas bases. Isto acontecia porque eles não arriscavam a tacada, ficavam com o taco em cima do ombro, esperando o arremessador errar para então fazerem progresso. Alberto passou o resto da temporada sem dar nenhuma tacada, algumas vezes foi eliminado, mas quando o arremessador errava mais do que ele, ele conseguia avançar. E se depois dele vinha um bom rebatedor no seu time, ele até conseguia ganhar o jogo. Seria como um jogador de futebol que nunca se apresenta para receber a bola. Nunca errará um passe ou um chute. Seu time poderá até ganhar, se o adversário errar mais, ou se seus companheiros jogarem por ele.
Alberto transferiu este modo de proceder para a vida. Ele passou a não tomar decisões com medo de fracassar. O sucesso que conseguiu ou foi resultado dos erros dos outros, ou porque fazia parte de uma equipe onde outro tomava as decisões e acertava, mas não por conta de atitudes dele.
Pude ver nesta história alguns retalhos de minha vida. Lembro-me de alguns jogos de futebol que participei, como eles eram difíceis, eu preferia não me apresentar para receber a bola, era omisso em campo, quanto menos pegasse na bola, menos erraria. O pior é que em certas situações difíceis da vida agi do mesmo jeito. Percebia que minha ação faria diferença, mas decidia me omitir. Não arriscava com medo de errar, demonstrar incompetência e sofrer a vergonha que é resultante dela. Preferi que outros decidissem, pois se errassem a culpa seria deles e se acertassem eu também sairia ganhando.
Noto que este é o jeito que muitas pessoas escolheram para viver. Jamais querem se expor, nunca se arriscam. Deixam sempre as decisões para os outros, não expressam suas opiniões em momentos que uma grande decisão precisa ser tomada. São maridos que se omitem, deixando todas as decisões para esposas e filhos, são esposas que não participam e deixam os maridos carregarem o fardo, das decisões, sozinhos.  São pessoas que não abrem um negócio com medo da falência, que não entram num curso com medo de não aprenderem, que não fazem um concurso com medo de serem reprovados, que não se envolvem em relacionamentos com medo de se decepcionarem, enfim, pessoas que não assumem responsabilidades com medo do fracasso.  Pessoas que preferem a segurança de avançar em cima do erro dos que estão do outro lado, ou do acerto de quem está do seu lado, mas jamais por causa de si mesmas.
Muitas vezes o sucesso também amedronta alguns. Se tomarem a iniciativa e acertarem, serão aplaudidos, e isto é bom. Mas, a vitória tem seu preço: a expectativa sobre eles aumenta, espera-se mais de quem acerta. Da próxima vez, as outras pessoas vão ficar esperando que novamente aquele que decidiu o jogo tome a iniciativa e vença novamente.  O sucesso cria uma pressão ainda maior sobre nós.  Ninguém espera muito de um time que está perdendo, mas se um time sempre ganha, todos cobram mais dele. Esta pressão das expectativas assusta algumas pessoas. Eles preferem serem neutras na vida e que ninguém espere nada delas. Para elas, a dor da indiferença é menor do que a dor da pressão das expectativas. Preferem depender dos acidentes da vida para avançar, e se não avançarem a dor será menor, já que ninguém esperava muita coisa delas. 
O interessante é que as pessoas que agem assim têm a tendência de criticarem os outros quando eles resolvem agir e são derrotados. Depois da decisão tomada, e não bem sucedida, elas logo abrem a boca para dizer como é que deveria ter sido feito isto ou aquilo. Antes se omitiram, mas agora são doutoras no assunto.
Estas pessoas nunca experimentam a alegria de ter uma vitória genuinamente sua. De terem avançado, não por uma casualidade do erro de alguém ou acerto de outro, mas porque elas mesmas arriscaram e conseguiram. Além disso, elas passam na vida sem fazer diferença. Elas pensam que se não ajudam, também não atrapalham. Mas, elas atrapalham sim. Porque há outro mal que estas pessoas causam. Sua omissão é uma forma de atrapalhar.
Talvez a maioria delas nem perceba. Mas elas infligem dor em outras pessoas quando se omitem. Elas aumentam o fardo daqueles que tem que tomar as decisões por elas, ou sem a ajuda delas. Quantos casamentos são vazios porque não há participação! Não são parcerias, antes, é um que se joga nas costas do outro, ficando na espera. Quantas mulheres são frustradas porque seus maridos deixam todas as decisões para elas! Quantos homens estão estressados porque sentem as expectativas de suas esposas, mas elas apenas olham e nunca se arriscam a ajudar! Quantos filhos desorientados porque seus pais se omitiram de lhe mostrar um caminho na vida!
Quando posso mudar uma situação com uma decisão de minha parte e me omito, quando fujo de uma responsabilidade que é minha, quando me escondo de ajudar quem está na liderança e precisa ouvir minha opinião, quando fico apenas na arquibancada, esperando que outros façam e conquistem a vitória para mim, quando não me apresento no jogo para receber a bola, eu aumento o peso nos ombros de outras pessoas, e assim eu atrapalho.
     Pecamos quando nos omitimos. É isso que é dito em Tiago 4.17: "Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando." Fazer o que é errado é pecado, e deixar de fazer o que é certo também. 
Que tipo de jogador nós somos na vida? Que tipo de cônjuge você é? Participa ou se omite? Que tipo de pai ou mãe você é? Mostra a direção ou deixa tudo por conta dos filhos? Que tipo de membro você tem sido na igreja? É participativo, ou apenas espera que os outros façam? 
Que tal participar do jogo? Pode ser mais doloroso, mas é bem mais gratificante!
Pense nisso para 2013.

2 comentários:

Roberio Olinto disse...

Uma das áreas que mais percebo a omissão de muitas pessoas é a aplicação de Mateus 18:15...

Muito obrigado pelo texto.

Forte abraço!

David disse...

Nesse contexto eu poderia dizer que errar por ação é melhor do que errar por omissão?

Quantas vezes a minha consciência me acusa de não ter feito o que era certo, eu me auto justifico por não ter os mecanismos necessários para fazer do jeito certo. Peço orações para saber com fazer o que é certo, as vezes perdemos a "razão" pelo modo como conduzimos as coisas e geralmente não vejo ao meu alcance bons meios ou mecanismos para fazer a diferença, isso me vem sempre a mente quando consulto o travesseiro. Agradeço pela meditação.