
Lembrei-me
deste ditado ao ler o livro O Silêncio de
Adão. Nele conheci a história de Alberto Andrews. Como todo garoto
norte-americano, assim imagino, Alberto foi iniciado no beisebol. Nas primeiras
vezes que jogou como rebatedor (o que fica com o taco tentando acertar a bola)
ele foi eliminado durante vários jogos por não conseguir acertar a bola. O
esporte deixou de ser prazeroso para ser embaraçoso.
Mas naquela
temporada ele fez uma descoberta que iria moldar sua vida. Percebeu que vários
outros jogadores também não conseguiam rebater, mas não eram eliminados, e
ainda conseguiam avançar algumas bases. Isto acontecia porque eles não
arriscavam a tacada, ficavam com o taco em cima do ombro, esperando o
arremessador errar para então fazerem progresso. Alberto passou o resto da
temporada sem dar nenhuma tacada, algumas vezes foi eliminado, mas quando o
arremessador errava mais do que ele, ele conseguia avançar. E se depois dele
vinha um bom rebatedor no seu time, ele até conseguia ganhar o jogo. Seria como
um jogador de futebol que nunca se apresenta para receber a bola. Nunca errará
um passe ou um chute. Seu time poderá até ganhar, se o adversário errar mais,
ou se seus companheiros jogarem por ele.
Alberto
transferiu este modo de proceder para a vida. Ele passou a não tomar decisões
com medo de fracassar. O sucesso que conseguiu ou foi resultado dos erros dos
outros, ou porque fazia parte de uma equipe onde outro tomava as decisões e
acertava, mas não por conta de atitudes dele.
Pude ver nesta
história alguns retalhos de minha vida. Lembro-me de alguns jogos de futebol
que participei, como eles eram difíceis, eu preferia não me apresentar para
receber a bola, era omisso em campo, quanto menos pegasse na bola, menos erraria.
O pior é que em certas situações difíceis da vida agi do mesmo jeito. Percebia
que minha ação faria diferença, mas decidia me omitir. Não arriscava com medo
de errar, demonstrar incompetência e sofrer a vergonha que é resultante dela.
Preferi que outros decidissem, pois se errassem a culpa seria deles e se
acertassem eu também sairia ganhando.
Noto que este
é o jeito que muitas pessoas escolheram para viver. Jamais querem se expor,
nunca se arriscam. Deixam sempre as decisões para os outros, não expressam suas
opiniões em momentos que uma grande decisão precisa ser tomada. São maridos que
se omitem, deixando todas as decisões para esposas e filhos, são esposas que
não participam e deixam os maridos carregarem o fardo, das decisões, sozinhos. São pessoas que não abrem um negócio com medo
da falência, que não entram num curso com medo de não aprenderem, que não fazem
um concurso com medo de serem reprovados, que não se envolvem em
relacionamentos com medo de se decepcionarem, enfim, pessoas que não assumem responsabilidades
com medo do fracasso. Pessoas que
preferem a segurança de avançar em cima do erro dos que estão do outro lado, ou
do acerto de quem está do seu lado, mas jamais por causa de si mesmas.
Muitas vezes o
sucesso também amedronta alguns. Se tomarem a iniciativa e acertarem, serão
aplaudidos, e isto é bom. Mas, a vitória tem seu preço: a expectativa sobre eles
aumenta, espera-se mais de quem acerta. Da próxima vez, as outras pessoas vão ficar
esperando que novamente aquele que decidiu o jogo tome a iniciativa e vença
novamente. O sucesso cria uma pressão
ainda maior sobre nós. Ninguém espera
muito de um time que está perdendo, mas se um time sempre ganha, todos cobram
mais dele. Esta pressão das expectativas assusta algumas pessoas. Eles preferem
serem neutras na vida e que ninguém espere nada delas. Para elas, a dor da
indiferença é menor do que a dor da pressão das expectativas. Preferem depender
dos acidentes da vida para avançar, e se não avançarem a dor será menor, já que
ninguém esperava muita coisa delas.
O interessante
é que as pessoas que agem assim têm a tendência de criticarem os outros quando
eles resolvem agir e são derrotados. Depois da decisão tomada, e não bem
sucedida, elas logo abrem a boca para dizer como é que deveria ter sido feito
isto ou aquilo. Antes se omitiram, mas agora são doutoras no assunto.
Estas pessoas
nunca experimentam a alegria de ter uma vitória genuinamente sua. De terem
avançado, não por uma casualidade do erro de alguém ou acerto de outro, mas
porque elas mesmas arriscaram e conseguiram. Além disso, elas passam na vida
sem fazer diferença. Elas pensam que se não ajudam, também não atrapalham. Mas,
elas atrapalham sim. Porque há outro mal que estas pessoas causam. Sua omissão
é uma forma de atrapalhar.
Talvez a
maioria delas nem perceba. Mas elas infligem dor em outras pessoas quando se
omitem. Elas aumentam o fardo daqueles que tem que tomar as decisões por elas,
ou sem a ajuda delas. Quantos casamentos são vazios porque não há participação!
Não são parcerias, antes, é um que se joga nas costas do outro, ficando na
espera. Quantas mulheres são frustradas porque seus maridos deixam todas as
decisões para elas! Quantos homens estão estressados porque sentem as
expectativas de suas esposas, mas elas apenas olham e nunca se arriscam a
ajudar! Quantos filhos desorientados porque seus pais se omitiram de lhe
mostrar um caminho na vida!
Quando posso
mudar uma situação com uma decisão de minha parte e me omito, quando fujo de
uma responsabilidade que é minha, quando me escondo de ajudar quem está na
liderança e precisa ouvir minha opinião, quando fico apenas na arquibancada,
esperando que outros façam e conquistem a vitória para mim, quando não me
apresento no jogo para receber a bola, eu aumento o peso nos ombros de outras
pessoas, e assim eu atrapalho.
Pecamos quando nos omitimos. É isso que é dito em Tiago 4.17: "Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando." Fazer o que é errado é pecado, e deixar de fazer o que é certo também.
Pecamos quando nos omitimos. É isso que é dito em Tiago 4.17: "Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando." Fazer o que é errado é pecado, e deixar de fazer o que é certo também.
Que tipo de
jogador nós somos na vida? Que tipo de cônjuge você é? Participa ou se omite?
Que tipo de pai ou mãe você é? Mostra a direção ou deixa tudo por conta dos filhos?
Que tipo de membro você tem sido na igreja? É participativo, ou apenas espera
que os outros façam?
Que tal
participar do jogo? Pode ser mais doloroso, mas é bem mais gratificante!
Pense nisso
para 2013.
2 comentários:
Uma das áreas que mais percebo a omissão de muitas pessoas é a aplicação de Mateus 18:15...
Muito obrigado pelo texto.
Forte abraço!
Nesse contexto eu poderia dizer que errar por ação é melhor do que errar por omissão?
Quantas vezes a minha consciência me acusa de não ter feito o que era certo, eu me auto justifico por não ter os mecanismos necessários para fazer do jeito certo. Peço orações para saber com fazer o que é certo, as vezes perdemos a "razão" pelo modo como conduzimos as coisas e geralmente não vejo ao meu alcance bons meios ou mecanismos para fazer a diferença, isso me vem sempre a mente quando consulto o travesseiro. Agradeço pela meditação.
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