sexta-feira, 5 de abril de 2013

CUIDADO COM O QUE VOCÊ DESEJA!


Há algum tempo li a frase acima num subtítulo de um romance e fiquei pensando no significado. Pela história narrada no livro, acredito que o autor queria comunicar a ideia de que alguns de nossos desejos podem se realizar, e que isso não será nada agradável, por isso devemos tomar cuidado com o que desejamos.  
            Mas há outras razões para tomarmos cuidado com os nossos desejos. Uma delas é que nossos desejos podem ser instrumentos de forças além de nós e trazer consequências desastrosas para nós e para aqueles que nos rodeiam. Esta verdade pode ser ilustrada no capítulo 21 de 1º Crônicas.
O livro de Crônicos foi escrito para animar o povo de Deus que voltara do exílio, e viu que seus motivos de glória haviam enfraquecidos. Sua terra estava pouco habitada, a dinastia davídica estava dominada por outros impérios, o templo reconstruído não tinha o esplendor do antigo e estavam rodeados de inimigos. Mas o autor também queria exortar este povo, mostrando a razão para aquilo estar acontecendo: a desobediência às ordens de Deus; e incentivar um comportamento de obediência, que poderia mudar aquela situação.
Este capítulo introduz a parte do livro que trata dos preparativos feitos pelo rei Davi para a construção do templo. Nele é dito como Davi adquiriu o terreno onde o templo deveria ser construído.
No período narrado, Davi e o reino viviam momentos de glória, crescimento e vitórias. Então apareceu Satanás, que é o inimigo de Deus e de Seu povo. Seu nome significa “adversário”. Ele procura frustrar os planos de Deus tentando pessoas, mesmo aquelas escolhidas por Deus para cumprir uma missão. Ele seduziu e fascinou o rei Davi, e assim o incitou e o instigou a realizar um senso. A ideia da palavra é que Satanás usou de esperteza para enganar Davi e levou-o a fazer o censo.
Satanás fez isso através do desejo de autoglorificação do rei Davi, ou ainda sua inclinação de confiar na quantidade para avaliar sua grandeza e segurança. Davi foi advertido por Joabe, que mostrou que aquele ato traria culpa sobre o povo e era uma atitude abominável (21.3,6). Mas, parece-nos que Davi estava dominado por seu desejo e cego para os perigos que sua realização traria.
Devemos tomar cuidado com os desejos do nosso coração, através deles Satanás pode nos enganar e nos levar a fazer aquilo que desagrada a Deus e prejudica o Seu povo. Nossos desejos podem ser instrumentos de poderes invisíveis que estão além de nosso controle.
Satanás tentou e induziu, mas isso não isentou Davi. Ele foi considerado culpado, e teve que arcar com as consequências de sua escolha. O próprio Davi admitiu sua culpa, e não se aproveitou da tentação como desculpa (21.8). É comum as pessoas fugirem da admissão e da culpa de seus erros, usando a tentação de Satanás e a provocação das pessoas como pretexto, e uma forma de se desculparem. Somos tentados, mas a queda nesta tentação é responsabilidade nossa, a culpa é nossa se cairmos, e as consequências serão nossas e daqueles que estão sob nossa responsabilidade.
Quando ouvimos Satanás e seguimos os desejos errados do nosso coração, nós desagradamos a Deus (21.7).  Ele se entristece e fica desgostoso e pesaroso, especialmente porque sabe que terá que agir para corrigir e disciplinar Seu povo. Nosso pecado afeta mais pessoas do que imaginamos: nós mesmos, aqueles que estão sob nossa responsabilidade e desgosta Deus.
A realização de desejos que são contrários à vontade de Deus é uma loucura. Davi reconheceu isso (21.8). Saul já havia cometido esta loucura:  “Então, disse Samuel a Saul: Procedeste nesciamente em não guardar o mandamento que o SENHOR, teu Deus, te ordenou” (1 Sam 13.13). Depois de Davi, o rei Asa também procedeu assim: “Porque, quanto ao SENHOR, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele; nisto procedeste loucamente” (2 Cr 16.9). Aliar-se a Satanás e se colocar contra os planos de Deus é uma total falta de senso. Pois é ficar ao lado do derrotado, e abandonar Aquele que pode nos fortalecer e dar a vitória.
As consequências de nossa desobediência são desastrosas. Os três modos de disciplina oferecidos a Davi eram pesados: três anos de fome, três meses de perseguição ou três dias de peste. Davi reconhece que todos eram angustiosos (21.11-13).
Quando desobedecemos a Deus, a solução é o arrependimento que confessa admitindo o erro e confia na misericórdia de Deus.  Reconhecendo que merecemos apenas o castigo de Deus (21.8,13,16,17).
O perdão oferecido por Deus deve ser apropriado do modo estabelecido por Ele. O SENHOR ordenou que Davi levantasse um altar no lugar escolhido por Deus (o mesmo local onde o SENHOR ordenara que Abrãao oferecesse Isaque e providenciou um substituto, 2 Cr 3.1). Davi recusa receber o terreno de modo gratuito, pois sabe que há um preço a ser pago, e o compra pelo equivalente a sete quilos e duzentos gramas de ouro. Deus aceita o sacrifício oferecido conforme as ordens Dele, e manifesta isso com fogo, da mesma maneira que havia enviado fogo na inauguração do tabernáculo (Lev 9.24) e que faria quando o templo fosse inaugurado naquele local (2 Cr 7.1).  Com esta expiação houve perdão e o castigo cessou.
Hoje o modo da expiação pelos nossos pecados é o sacrifício já realizado por Jesus Cristo. Esta foi a maneira proposta pelo próprio Deus para propiciação dos nossos pecados (Rom 3.24,25). Da mesma maneira que não haveria perdão e cessação do castigo se Davi não tivesse buscado o perdão da maneira ordenada por Deus, hoje não há perdão e salvação se não for pela fé no sacrifício realizado por Jesus Cristo (Atos 4.12).
A resposta de Deus com fogo mostrou a Davi que aquele era o local escolhido para ser o templo de Deus, o lugar da adoração. Séculos depois Deus enviou seu Filho, que foi o templo de Deus entre nós (João 1.14; 2.21). Hoje este templo é o povo de Deus, verdade manifestada quando do envio do Espírito Santo (1 Cor 3.16).
É preciso dizer que nossos desejos podem ser usados por poderes que estão além de nós e não são controlados por nós, mas que não estão além nem fora do controle de Deus. Satanás é um inimigo, mas não um rival de Deus. Ele está debaixo do controle de Deus, o capítulo demonstra que Deus usou a suposta esperteza de Satanás e a fraqueza de Davi para que o local do futuro templo fosse descoberto e adquirido. Na tentativa de frustrar os planos de Deus, Satanás ajuda a Deus a realizar este plano. Este resultado positivo não o isenta, pois sua intenção era a de prejudicar e não a de ajudar. A ajuda não veio porque ele assim desejou, mas por causa da soberania de Deus sobre todas as pessoas e situações, até sobre aqueles e aquelas que tentam prejudicar Seus propósitos.
Estando Deus está no controle de tudo, vamos submeter nossos desejos à vontade Dele. Assim, evitaremos que estes desejos sejam usados por forças além de nós, desagradem a Deus e tragam resultados desastrosos para nós e para aqueles que nos rodeiam. 

Um comentário:

SEMEAR É PRECISO !!! disse...

Amém!
Que assim seja, a leitura foi muito proveitosa!
Que O Senhor continue lhe abençoando e fazendo boca de sua boca p nos abençoar Pr Almir!