terça-feira, 19 de agosto de 2014

CRISTO FOI UM CRONÔMETRO




         A frase "Cristo foi um cronômetro" é atribuída a Hermann Melville, autor do romance Moby Dick. Cronômetro é um instrumento capaz de medir o tempo. Será que a metáfora de Melville para Jesus Cristo é adequada?  
          Se entendermos que o cronômetro é usado tanto para marcar o início de certa quantidade de tempo como o seu fim, a metáfora é bem adequada, pois foi isso que Cristo fez. 
          O modo de marcarmos o tempo a partir de Cristo foi iniciado pelo monge Dionísio Exigiuus (nascido na Cítia) no século VI. Antes disso a contagem dos anos seguia a nomenclatura de Era Diocleciana, por causa de Diocleciano, imperador romano.  
         O motivo dado por Dionísio foi "a fim de que o início de nossa esperança nos parecesse tanto mais familiar e a causa da reparação humana, i.e., nosso redentor, reluzisse com tanto maior brilho." (Jesus e o seu tempo, pg. 24, de Wolfgang Stegemann).
        Dionísio errou nos cálculos, pois Jesus nasceu pelos menos quatro anos antes da data marcada por este monge, mas este calendário se firmou no mundo, dividindo a marcação da História em a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo).
          Embora o cálculo tenha ficado fora de centro o acerto teológico foi no alvo,  pois a obra do Senhor Jesus situa-se no centro do tempo, não cronologicamente, mas por ser o clímax do projeto redentor de Deus. Sua vinda explica e restaura a Criação, deixando tudo pronto para esperar a Consumação.  A vinda de Cristo deu início ao tempo final da velha Criação e começou o novo tempo da nova Criação. Assim, vivemos entre os tempos (1 Co 10.11).  
          Jesus veio na plenitude do tempo: vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, (Gálatas 4.4).
          Esta vinda era parte essencial no propósito de Deus:  de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra; (Efésios 1.10).
           Este projeto estava na mente de Deus, antes do tempo, mas se manifestou no tempo. As pessoas que seguem apenas a sabedoria destes tempos não conseguem entender. Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória;  sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; (1 Coríntios 2.6-8).
         Antes desta vinda, os meios estabelecidos por Deus eram apenas sombras da obra que Ele realizaria no tempo da nova ordem: os quais não passam de ordenanças da carne, baseadas somente em comidas, e bebidas, e diversas abluções, impostas até ao tempo oportuno de reforma.  (Hebreus 9.10).
              Deus havia prometido a obra redentora antes dos tempos eternos, mas esta obra foi manifesta no tempo apropriado, conforme Tito 1.2,3: na esperança da vida eterna que o Deus que não pode mentir prometeu antes dos tempos eternos e, em tempos devidos, manifestou a sua palavra. 
         Em sua vinda Jesus realizou o sacrifício necessário para resolver o problema do pecado, que tem corrompido a criação, como diz Hebreus 6.26: Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado. 
          Ele esteve neste tempo, mas saiu e voltou aos céus (Atos 1.21,22). Mas voltará para consumar o que iniciou. assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação. (Hebreus 9.27).
         Enquanto aguardamos, é necessário testemunhar Sua obra, anunciando que o tempo oportuno é agora e que este se abrevia.  eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação; Isto, porém, vos digo, irmãos: o tempo se abrevia;  (2 Coríntios 6.2; 1 Coríntios 7.29 ) Contamos com a certeza de que Ele estará conosco todos os dias, até a consumação do tempo (Mateus 28.19,20)
         O Senhor do tempo, criou o tempo, entrou no tempo, viveu no tempo, saiu do tempo, marcou o tempo, tornou-se o centro do tempo, está conosco no tempo e um dia concluirá Sua obra iniciando um novo tempo.

         


Um comentário:

Paulo Brasil disse...



Mas, há mistérios com o tempo, o mais admirável deles, é que seu Senhor nele penetra, nesse pequeno universo humano, mostrando-se ao homem. E em nosso tempo, ao Seu tempo, faz-nos compreender uma realidade sem tempo: a eternidade.

Assim, “em parte” sabemos como será quando não mais houver tempo. Pois, conhecendo o Senhor do tempo, é-nos antecipada, por pouco tempo, a majestade e glória dAquele que é além do tempo. "Em parte" experimentamos a eternidade, onde não há tempo, em uma pequena fração de tempo.

Excerto do link: http://atravesdasescrituras.blogspot.com.br/2015/11/a-eternidade-e-o-fim-do-tempo.html