domingo, 18 de setembro de 2016

SERÁ QUE EXISTE UM LUGAR SEGURO?

Este mundo não é um lugar seguro. Na verdade, está longe disso.
Nós é que nos enganamos quando pensamos o contrário e buscamos segurança nele. Algumas vezes confiamos em nossos recursos ou na ajuda de outros, mas, mais cedo ou mais tarde, quando a tragédia nos encontra, descobrimos nosso engano e percebemos que estamos profundamente vulneráveis.
Então sentimos o desejo de encontrar um lugar de segurança, um local onde haja consolo, um colo onde chorar, um esconderijo que nos abrigue. Nossos sentimentos tornam-se parecidos com o de alguém que, desamparado e atacado na rua, volta para casa buscando proteção ou de alguém que busca um abraço que traga conforto.
Mas será que existe esse lugar?
A resposta da Bíblia é sim. Há um lugar de refúgio seguro quando enfrentamos as perturbações dessa vida. Esse lugar é uma pessoa, esse lugar é o Senhor Deus.
Podemos traduzir de uma forma ampliada, o clamor do salmo 71.3, assim:
“SENHOR, 
torna-te para mim uma rocha protetora e habitável, s
empre acessível, 
para onde eu possa ir continuamente”.
            Quando lemos o salmo inteiro percebemos que foi escrito por alguém já idoso, que diante de uma situação de desafio e pressão volta-se para Deus, clamando, lembrando e agradecendo, pois não quer desanimar e perder a corrida, agora que já avista o marco da chegada. Ainda deseja testemunhar da salvação graciosa de Deus, por isso o salmo está cheio de gratidão e esperança, mesmo numa situação de aflição.
            O autor, além de lidar com as provações próprias da velhice, também está passando por problemas excepcionais. Enfrenta a hostilidade na forma de desamparo, calúnia e perseguição. Inimigos, aproveitando-se de sua situação fraca e vulnerável, querem levá-lo ao fracasso e vergonha.
Mas ele sabe que há um lugar de socorro, por isso pede que Deus se torne um rochedo, isto é, lugar alto e seguro, onde o perigo não o alcance, onde possa habitar e que tenha acesso a todo instante. Ele quer uma rocha, mas uma rocha hospitaleira, que o possa abrigar sempre que for necessário. Clama que Deus se torne uma casa com muros altos e fortes, mas com as portas sempre abertas para ele.
É comum as palavras não fluírem quando estamos em situações angustiosas. Muitas vezes só conseguimos produzir choros e gemidos. Talvez, por isso, no início, o autor recorre e repete as palavras do salmo 31,  escrito por Davi, que também pedia que Deus se tornasse um lugar seguro para ele, uma proteção diante das armadilhas que seus adversários tinham preparado (31.1-4). Davi clamou numa situação de desespero, tristeza e desânimo. A angústia o consumia e esgotava suas forças, a ponto de perder o apetite. Era perseguido pelos inimigos, evitado e esquecido pelos amigos (31.9-13). Era vítima de intrigas e acusações, por isso sentia-se alarmado (31.22). Então clamou a Deus, pedindo que Ele se tornasse sua casa acolhedora (31.2).
Ambos usam a imagem de uma rocha para descrever o que esperam de Deus. A rocha era um lugar seguro, alto e inacessível ao perigo. Num conjunto de rochedos se encontraria grutas e fendas que serviam de abrigo diante dos ataques das armas usadas naquela época. Em várias ocasiões pessoas em perigo buscaram refúgios em montanhas rochosas e penhascos. Os soldados de Saul esconderam-se neles diante da ameaça dos filisteus (1 Sm 13.6). O próprio Davi protegeu-se de Saul numa rocha (1 Sm 23.25).  Algumas eram tão amplas que chegaram a proteger 600 homens (Jz 20.47).  Elas ainda providenciavam sombra contra o calor do deserto e um chão firme em contraste com a terra que poderia fazer os pés escorregarem (Is 32.2; Sl 40.2). Por isso, o termo era usado para expressar a ideia de proteção contra as instabilidades e ameaças da vida.
Utilizam também termos que expressam a ideia de uma fortaleza, um local construído para proteção diante do ataque dos exércitos inimigos.
A terceira imagem é de uma casa, onde normalmente, encontra-se abrigo contra o frio, o calor, o escuro e as ameaças de fora. No salmo 91.9 encontramos as duas ideias em paralelo, refúgio e morada, aplicadas à Deus, que serve de abrigo e proteção aos desamparados e desprotegidos. "Pois disseste:
O SENHOR é o meu refúgio.
Fizeste do Altíssimo a tua morada."
Sabemos por experiência que a vida neste mundo é insegura, que enfrentamos momentos de tempestade e turbulência em nossa passagem por aqui. Que algumas vezes a tragédia poderá se abater sobre nós. Mas também sabemos com certeza, que nessas ocasiões, poderemos clamar a Deus e contar com Ele para ser nossa casa acolhedora e protetora, com as portas sempre abertas, para nos receber e abrigar.
Pois, o SENHOR é a morada segura, para onde podemos correr quando nos deparamos com os perigos dessa vida.










Um comentário:

Anônimo disse...

É assim que me sinto nos braços de meu Deus! Único lugar seguro! Adorei a leitura!