sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Ensaio 12 - À SOMBRA DO ONIPOTENTE

“Viver à sombra de alguém” é uma expressão de dependência. Quem vive à sombra de outro é porque depende dele. Nem sempre isto é bem visto em nossa cultura. Geralmente quando nos referimos a alguém que vive à sombra de outro, estamos comunicando a idéia de que está se aproveitando.
Na Bíblia a palavra "sombra" é usada para comunicar várias idéias. Além de seu sentido literal ela pode expressar algo transitório, efêmero, que tem curta duração (1 Cr 29.15); semblante ou aspecto (Jó 17.7); a imagem não muito nítida de algo (Cl 2.17; Hb 8.5; 10.1); uma ameaça (Mt 4.16); e também descanso e proteção. É neste último sentido que o peregrino, que ia adorar em Jerusalém, canta que o SENHOR era a sua sombra (Sl 121.5).
Numa terra de clima quente, como em Israel, a sombra tinha uma grande importância especialmente no verão. Pessoas e animais careciam de sombra para descansar (Gn 18.1; Ct 1.7; Is 49.10). Peregrinos precisavam de sombra para passar o calor da tarde quando viajavam (1 Rs 13.14; Gn 18.4,8).
Quem viajava também precisava sombra para se proteger. Estar debaixo da sombra do telhado da casa, significava estar protegido pelo dono da casa (Gn 19.8). Algumas pessoas buscavam esta sombra em nações e reis (Is 30.2; Lm 4.20). Isto mostrava sua confiança nestas autoridades (Jz 9.15).
No caso do peregrino o SENHOR tanto era sombra para proteção do calor como dos inimigos. Era sombra para descanso e segurança. Nós também precisamos desta sombra.
Algumas vezes a vida pode se tornar como um dia de calor fustigante, ou ainda de fortes tempestades. A crueldade dos homens maus é comparada a forte tempestade batendo contra o muro e um forte calor. O SENHOR é a sombra contra esta a opressão, diante da qual somos fracos (Is 25.4,5).
Outras vezes enfrentamos pessoas e situações que tentam nos destruir tanto física como espiritualmente. Ficamos como entre feras a nos rodear para nos devorar. Nestes momentos, como filhotes que se abrigam sob as asas da mãe, podemos encontrar abrigo à sombra das asas de Deus (Sl 17.8-12; 91.4).
Foi sob a sombra das asas de Deus que Davi foi se abrigar, quando era perseguido por Saul. Ele disse que ficaria ali até que as calamidades passassem (Sl 57.1). As calamidades podem ser tragédias como as acontecidas contra Jó (Jó 6.2; 30.13), problemas causados por filhos (Pv 19.13), ou a maldade que os homens carregam no íntimo (Sl 5.9). À sombra das asas de Deus, Davi cantava cheio de alegria, mesmo no deserto de Judá, provavelmente fugindo da rebelião de seu filho Absalão (Sl 63.7).
Os peregrinos precisavam de lugares seguros para se abrigar à noite, nós também
precisamos de lugar de refúgio quando a vida se torna escura e ameaçadora. O melhor abrigo para nossa segurança é a sombra do Onipotente, quando enfrentamos a escuridão que a vida pode nos trazer (Sl 91.1).
A sombra das asas de Deus nunca nos decepciona, diferente da sombra prometida por homens, que envergonha nossa confiança (Is 30.2,3). A sombra de Deus de fato pode nos surpreender fazendo além do que imaginamos. Rute buscou refúgio à sombra destas asas, quando não se lhe apresentava nenhuma perspectiva de um futuro promissor, e ela encontrou um futuro que nem em sonho poderia imaginar (Rt 2.12). O mesmo ocorreria com o povo de Deus no cativeiro (Is 51.16).
Esta sombra existe por conta da misericórdia de Deus, que é muito preciosa (Sl 36.7).
Deus pode fazer esta sombra na forma de um governante justo (Is 32.1,2),
ou dando -nos sabedoria para viver (Ec 7.12 literalmente “a sabedoria é sombra”), ou mesmo através de uma planta (Jonas 4.6).
Ele tem prometido um tempo quando providenciará uma sombra permanente para Seu povo (Is 4.5,6; Os 14.8). Isto será realizado através de Seu Servo, que na forma de sombra foi anunciado no AT (Cl 2.17; Hb 8.5; 10.1), e foi protegido e preparado pela sombra da Sua mão (Is 49. 2; 51.16). Até lá, como peregrinos seguimos em nossa caminhada para Jerusalém celestial, animados e protegidos por Sua sombra. É somente à sombra Dele, que nossa vida, que é como uma sombra fugaz, que logo se desfaz, ganha permanência.

Um comentário:

Antonio disse...

Muito oportuna, e esclarecedora está mensagem, pois sabemos o quanto dependemos do Nosso Deus.

Abraços.
AntonioTavares.