sábado, 5 de abril de 2008

Adorando com alegria

A mãe de uma adolescente e uma criança disse a respeito de suas filhas e a igreja: Uma chora para não vir, outra chora para não sair. O interessante é que um dia esta adolescente havia sido como sua irmã, havia chorado para não sair da igreja, mas, com o passar do tempo, ela perdera o entusiasmo em adorar. Suas alegrias estavam em outros lugares. Infelizmente isto ocorre com muitos crentes. Quando novos convertidos há um brilho em seus olhos na hora de cultuar, o tempo passa e o brilho se apaga. Procuram qualquer desculpar para não adorar: choveu, fez frio, fez calor, não gosto do pregador, o irmão tal me ofendeu, o culto é chato, a pregação longa, etc. e tal.
Por que perdemos a alegria em adorar? Uma das razões é o pecado na vida. Davi admite que a falta de confessar o pecado o tornou sem ânimo. Sua vida ficou seca e sem entusiasmo. A mão de Deus se tornou um fardo sobre ele (Sl 32.3,4; 38-2-8). Como desfrutar o sabor de uma boa comida se o paladar está amortecido pelos vícios do mundo? Mas Davi nos aponta a solução. Confessar o pecado, aceitar o perdão de Deus (SL 32.5,6), e clamar para Deus restaurar a nossa alegria (Sl 51.8,12).
Outra causa para a falta de alegria na adoração é o mundanismo. Para o homem do mundo a alegria vem do comer, beber e divertir-se (Lc 12.19; 16.19), pois para ele é isto que faz a vida valer a pena, ele considera que é para isto que existem as coisas materiais. E quando nosso coração está dominado pelas coisas do mundo, só encontramos alegria nas coisas do mundo, e não em adorar a Deus. Passamos a ver a adoração apenas como um dever a ser cumprido. A solução é a transformação da mente e das afeições para não pensarmos como o mundo e para não amarmos o mundo (Rm 12,1,2; 2 Jo 2.15
Este mundanismo pode nos levar a fazer da adoração um ato de diversão. Foi isto que aconteceu com o povo de Israel (Ex 32.1-6). Moisés estava no monte recebendo as instruções de Deus. O povo ficou decepcionado com a demora dele. O termo traduzido por “tardar” dá a idéia de “ficar envergonhado, embaraçado, ou desapontado”. As expectativas do povo quanto à adoração eram outras. Não aceitaram o tempo e a forma de Deus. Reagem criando ídolos, que poderiam adorar segundo sua própria vontade. Não queriam adorar um Deus invísivel (Ex 20.3,4), com um profeta que os deixava ali no pé do monte por quarenta dias. E a adoração descambou para a diversão. A expressão “divertir-se” tanto pode se referir ao riso de incredulidade (Gn 18.12,13,15), à zombaria (Gn 19.14;21.9), ao ato sexual (Gn 26.8, traduzido como “acariciar”), ou a diversão na adoração (Jz 16.25). A alegria daquele povo estava em seus ídolos, e no fato de se divertir enquanto adorava (At 7.41).
A solução é adorar a Deus respeitando a Sua santidade. Deus exige ser adorado da maneira que Ele tem ordenando. O episódio acima ocorreu justamente depois de Deus dar as instruções para adoração. Ele indicou cada detalhe do lugar da adoração (Ex 25.8,9). A falha em adorar da forma estabelecida produz Sua ira (Lv 10.1-3; 2 Sm 6.1-11). Devemos adorar a Deus em reverência e santo temor (Hb 12.28,29)
A falta de gratidão é outro fator que ocasiona falta de alegria na adoração. Gratidão vem de apreciar a graça de Deus. Este pecado pode sutilmente entrar em nosso coração. Achamos que merecemos mais bênçãos do que aquelas que Deus graciosamente nos tem dado. Ficamos com a sensação de que temos recebido de Deus menos do que nós merecemos. Consideramos que Deus não está sendo justo conosco. E assim, perdemos a alegria em adorá-lo. O povo de Israel é um exemplo disto. Sempre achava que estava faltando alguma coisa: ora era água, ora comida, depois uma comida diferenciada, etc. Sua falta de contentamento levou a uma vida de murmuração e não de adoração alegre. Mesmo Deus se fazendo presente diariamente em suas vidas: nuvem guiando, maná diário, etc.
A solução é considerar que temos recebido muito mais do que merecemos. De fato todas as bênçãos de Deus sobre nós são imerecidas. Somos pecadores, e o que merecemos é a condenação eterna. Mas Deus nos tem dado a vida, a oportunidade de conhecê-Lo, de manter comunhão com Ele em adoração, e mesmo assim achamos isto pouco. Vamos lembrar os benefícios que Deus nos tem feito, isto tornará nossa adoração alegre. Como diz o hino: Se das vidas as vagas procelosas são, se com desalento julgas tudo vão, Conta as muitas bênçãos dize-as de uma vez, e hás de ver surpreso o que Deus já fez.
Com qual das duas filhas do exemplo inicial você se identifica? Você vem a igreja sem alegria por pura obrigação? Ou você acha prazeroso adorar a Deus?
Adorar a Deus sempre deve ser motivo de alegria.

3 comentários:

fatima disse...

Adorar a Deus, é um ato de GRATIDÃO. Quando se é grato, adora-se com grande ALEGRIA.

Augusto disse...

Fátima...me dessculpe...você só pode ser grato a alguém qndo esse alguém faz algo para você...ser grato a Deus éh louvá-lo...adorar vai muito além de uma simples gratidão, adoração éh entrega, sinceridade, paixão por Jesus, reconhecer o que ele é, não o que ele faz...bjaum...Pazzz

Anônimo disse...

Sou anglicano, não praticante, e cheguei a esta página em busca do hino citado ("Se das vidas vagas procelosas são...") e me identifiquei com o texto, já que estou num bom momento da minha vida e me deu saudade da igreja, um marco na minha vida, que me ajudou a ser o homem que sou hoje. A gratidão, e não necessariamente a dor, também nos aproxima de Deus. Obrigado por tudo, Senhor!!! Marcelo de Mello