quarta-feira, 19 de setembro de 2007

BUSCANDO SINAIS DE ARREPENDIMENTO

Uma das histórias bíblicas que me fascina é a de José do Egito. Mas algo me intriga naquela história. Quando se encontrou com seus irmãos, depois de mais de 20 anos sem vê-los, ele não se deu a conhecer, nem manifestou alegria, pelo contrário, agiu com dureza. Inclusive tentando incriminar seus irmãos de delitos que eles não haviam praticado. Por quê?
Penso em duas possibilidades:
Primeira – caso José se desse a conhecer de imediato, talvez  seus irmãos, com medo, não mais voltassem ao Egito, e assim, José perderia a oportunidade de rever seu pai e seu irmão mais novo, Benjamim. 
Segunda – ele queria verificar se seus irmãos haviam se arrependido. Estes irmãos eram iracundos, mentirosos, violentos e adúlteros (Gen. 34; 35.22; 37.4,8,11,20,26,32).
     Em seu coração, José já havia perdoado os seus irmãos (Gen. 42.24,25) , mas a reconciliação dependia  de arrependimento e confissão. E este arrependimento deveria ser demonstrado com frutos.  José fez perguntas, não apenas para saber a situação de seu pai, mas também, para verificar se seus irmãos diziam a verdade. 
     Apesar de não ter se manifestado de imediato, ele deu vários sinais de que sabia alguma coisa. Por exemplo: escolheu Simeão para ficar preso no Egito. Pois, depois de Rubem, Simeão era o mais velho, portanto o maior responsável pela venda de José como escravo (Gen. 42.24). De fato, Rubem pretendia salvar o irmão, e estava ausente quando a decisão da venda foi tomada. 
     Outro sinal  que enviou a seus irmãos é que arrumou a mesa do mais velho para o mais novo, e deu porções maiores para Benjamim (Gen. 43.33,34). Se seus irmãos estivessem atentos, poderiam ter desconfiado de alguma coisa. 
Da parte dos irmãos houve sinais de tristeza. Reconheceram que a aflição que estavam passando era um tipo de punição pela aflição que fizeram José passar (Gen. 42.21). Mas a mentira sobre José ainda era mantida em segredo pelos nove, pois até  Rubem pensava que José havia morrido (Gen.42.22,38; 43.30).
Os sinais se apresentaram quando reagiram diante da possibilidade de Benjamim ser punido com a morte (Gen 44.13). Se não tivesse ocorrido nenhuma mudança na vida deles, provavelmente eles deixariam Benjamim ser preso ou morto, afinal haviam agido assim com Simeão, pouco tempo antes. Mas naquele momento demonstraram preocupação com o pai. Não queriam aumentar a tristeza do pai com a perda de mais um filho. Judá assume a liderança (Gen. 44.14), pode ser que os três, que eram mais velhos, (Rubem, Simeão e Levi) haviam perdido a influência, por causa dos problemas que causaram à família no passado. 
O arrependimento é sinalizado com a confissão, reconhecimento de que não são inocentes (Gen. 44.16), e disposição para pagar o preço de não causar mais sofrimento ao pai (Gen.44.30-34).
José agiu daquela maneira para o bem dos irmãos. Eles precisavam reconhecer o pecado deles, confessar a culpa, e manifestar amor pelo pai. Era necessário que aprendessem que o pecado deixa suas consequências. Isso faria com que pensassem duas vezes antes de pecar novamente. 
Esta atitude também causou sofrimento em José. Ele pagou um preço pela disciplina imposta a seus irmãos. Seria mais fácil para ele ter-se dado a conhecer imediatamente, visto  logo seu pai e seu irmão Benjamim, mas preferiu correr riscos. 
        Os irmãos poderiam não ter mais voltado, e assim perderia o contato com eles. Afinal, se eles não tivessem se arrependido com sinceridade,  não se preocupariam em perder Simeão (que havia ficado preso no Egito na primeira visita). Não era orgulho da parte de José, mas amor. Amor que perdoa, e busca a reconciliação, mas busca também o arrependimento e a restauração na alma dos que causaram a ofensa.

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