sexta-feira, 15 de abril de 2011

Julgados por esquecer


O povo de Deus sempre gostou de cantar. E sempre teve razões para isso. O livro de Salmos testemunha esta verdade. Ele é formado por cânticos compostos em várias épocas e por várias pessoas. Também são de tipos bem variados: louvor direto a Deus, orações, ações de graças, ensino, testemunho, etc, mas todos em linguagem poética. Podemos dizer que são poesias cantadas, ou cânticos em forma de poesia. A linguagem poética tanto é apropriada para expressar como para evocar pensamentos e sentimentos, por isso foi muito utilizada na Bíblia.

Quando estes cânticos foram coletados, também foram divididos em 5 livros. Segundo os rabinos antigos, isto foi feito para fazer um paralelo com os 5 livros de Moisés. Sempre há uma doxologia, uma palavra de louvor no final de cada livro: 41.13; 72.18s; 89.52; 106.48; 150.

Dentre os vários autores dos salmos está Asafe. Ele era maestro ou regente do coro no tabernáculo. Este coral foi instituído na época de Davi. Além de responsável pela música, era também profeta, e assim falava e escrevia debaixo da inspiração divina (a expressão “exercia o ministério”, literalmente significa “profetizava”) veja as referência 1 Cr 16.7; 25.2; 2 Cr 29.30.

O salmo 50 inicia o terceiro livro dos salmos. Nele notamos que Deus julgará o Seu povo por esquecimento.

Acesse o link e ouça a mensagem www.4shared.com./dir/uRj39Bn-/Salmos_de_Asafe

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Pequeno devocional em Josué 1

Quatro vezes Josué é incentivado a ser forte e corajoso, 3 vezes este incentivo vem do próprio Deus. A tarefa que ele tinha pela frente era enorme, acima de suas capacidades.

Deus não dá uma missão sem dar os recursos para que a realizemos. No caso de Josué os recursos eram: a presença de Deus; a promessa de que nunca o abandonaria e a Lei que Deus havia dado através de Moisés, isto é a Palavra de Deus.

O papel de Josué era ser forte e corajoso, crer e obedecer. Desânimo e medo seriam vencidos pela confiança nas promessas de Deus.

Temos também uma tarefa para fazer. Muito além de nossas forças e habilidades. Se olharmos apenas para nossos recursos ficaremos desanimados e com medo. Mas temos a promessa de Deus de que a missão será bem sucedida, pois será Ele quem a realizará. Ele estará conosco sempre (Mt 28.18-20).

segunda-feira, 28 de março de 2011

Evangelizar, o que é isso?


Aprendemos e usamos a linguagem do grupo ao qual pertencemos. Por isso algumas vezes usamos termos que não sabemos bem o que significam. Isto também ocorre na Igreja. As pessoas achegam-se, usam as palavras que ouvem todos falarem, mas não sabem corretamente o que elas querem dizer. Então perguntamos: o que é evangelizar?

Na língua original evangelizar significava “proclamar boas notícias”, “anunciar uma mensagem que causa alegria”. Na versão do Antigo Testamento foi usado para o anúncio de vitórias militares ou a chegada de um filho (2 Samuel 18.20,22; Jeremias 20.15, uso semelhante aparece em Lucas 1.19), mas também para a proclamação das palavras e ações de Deus (Salmos 40.9; 68.11; Isaías 41.27) e para o anúncio da salvação que Deus Ele realizava (Salmos 96.2; Isaías 52.7).

No Novo Testamento o termo indica que Deus tem realizado a Sua salvação através da pessoa de Seu Filho Jesus Cristo, o qual enviou ao mundo. Os anjos evangelizaram os pastores proclamando as boas notícias que Jesus nascera (Lucas 2.10). João Batista evangelizou anunciando que o Messias viria, e que Ele traria a salvação e o juízo de Deus, e as pessoas deveriam se arrepender e crer nesta mensagem (Lucas 3.18). Jesus disse que foi ungido com a finalidade de evangelizar (Lucas 4.18). Marcos 1.14 nos indica que foi o que Ele fez, evangelizou, anunciando as boas notícias de que o Reino de Deus estava chegando, e por causa disto as pessoas deveriam se arrepender e crer.

No livro de Atos (onde a palavra algumas vezes foi traduzida como “pregar”) a Igreja evangelizava anunciando que Jesus era o Messias prometido de Deus ( 5.42), que o Reino de Deus havia chegado em Cristo (8.4), que as Escrituras se cumpriram em Cristo (8.35). Estas eram as notícias de paz (10.36), do cumprimento da promessa de Deus (13.32), de Jesus e sua ressurreição (17.18). Com esta mensagem a Igreja esperava que as pessoas abandonassem os falsos deuses e se voltassem (conversão) para o Deus verdadeiro (14.15).

Em 1 Coríntios 15.1-4 o apóstolo Paulo nos mostra o conteúdo desta mensagem: somos pecadores, Jesus morreu por causa dos nossos pecados, e ressuscitou, isto tudo de acordo com as Escrituras, isto é, a Palavra de Deus. Este era o anúncio das insondáveis riquezas de Cristo (Efésios 3.8). Estava baseado na Palavra de Deus (1 Pedro 1.25).

Concluímos que evangelizar é proclamar a mensagem que se encontra na Bíblia, a Palavra de Deus. Evangelizar é anunciar a morte e ressurreição de Cristo, como sendo as boas notícias de Deus. Pois através desta obra de Cristo, Deus tem realizado a salvação. Evangelizar é convocar as pessoas ao arrependimento (abandono dos pecados) e fé (aceitação da salvação e perdão que Deus oferece gratuitamente em Cristo).

segunda-feira, 21 de março de 2011

AMOR, MODO DE EVANGELIZAR.





Qual adorno desta vida?
Pergunta um hino que cantamos, e ele mesmo responde: É o amor, é o amor.


O amor é uma atitude que enfeita a nossa vida e mostra a beleza da vida cristã. O amor atraia as pessoas para o cristianismo. Por isto o amor é um modo de evangelizar. Posso cumprir a ordem do Senhor Jesus de anunciar as boas novas de salvação amando os meus irmãos. A igreja demonstra o evangelho quando ama.


O Senhor Jesus deixou isto claro. Em João 13.35 Ele disse: desta maneira as pessoas conhecerão que vocês são meus discípulos, se tiverem amor uns para com os outros. Quatro observações podem ser feitas sobre o amor a partir deste versículo.


Primeira: o amor é algo que pode ser visto: "as pessoas conhecerão" disse Jesus. Os de fora podem ver se os crentes se amam ou não. O amor não é algo escondido, não é um sentimento interior que apenas quem tem sabe. Quando amo o meu irmão as pessoas irão perceber.


Segunda: o amor aponta para Jesus. Havendo amor fica claro que vocês são meus discípulos, foi o que Jesus disse. Ser discípulo é ser seguidor, aprendiz, aluno. O amor não é algo natural. Não é uma atitude que aprendemos da natureza. Não nascemos sabendo amar. Não nascemos amando. Precisamos de um professor para aprender a amar. Precisamos de alguém que nos capacite a amar. O mundo conhece várias sociedades, vários tipos de relacionamentos. Todos marcados pelo egoísmo, interesse próprio, e desejo de ser servido ao invés de servir. Quando o mundo olha para os cristãos e percebe que eles se amam, vê algo diferente. E assim descobre que eles têm um professor sem igual, alguém que os ensinou a amar. E passam a conhecer Jesus. O descrente verá Cristo através do amor do povo de Deus.


Terceira: o amor é o sinal do crente. A prova de que alguém esteve com Jesus é o amor. O amor é a marca que Jesus deixa naqueles que o seguem. Por me observar as pessoas podem descobrir várias coisas a meu respeito: de onde sou, o que faço, do que gosto, etc. Apenas observando como trato os meus irmãos em Cristo as pessoas poderão conhecer que estou do lado de Jesus. Quando não pratico o amor estou concedendo o direito das pessoas falarem que não sou discípulo de Jesus. O amor é o sinal que envio ao mundo mostrando que sou de Jesus.


Quarta: o amor pode ser escolhido ou evitado. Se tiverem amor. É algo condicional. Posso escolher não amar, ou escolho amar. Posso conviver com meus irmãos da mesma forma que o mundo convive em suas comunidades, com egoísmo, sem querer servir, querendo apenas ser destaque. Só que ao fazer esta escolha eu não evangelizo. Minha vida turva o evangelho. Mas posso escolher amar: servir, abençoar, considerar mais os outros. E assim evangelizo, mostro que sou de Jesus.


Que as pessoas admirem Jesus, e percebam que cristianismo é algo bonito. Que vale a pena ser vivido. Amemos uns aos outros, e assim estaremos evangelizando. Basta amar para evangelizar.





terça-feira, 8 de março de 2011

A Certeza de que nada vai faltar.


Há alguns anos ouvi uma história ocorrida durante a segunda guerra mundial. Crianças acolhidas num abrigo tinham dificuldades para dormir. Estas crianças haviam passado períodos de fome. Alguém percebeu que o que as impedia de dormir era a dúvida se teriam alimento no dia seguinte. Passou-se a dar a cada uma um pedaço de pão para que elas dormissem segurando-o. A partir daí as crianças conseguiram dormir com tranqüilidade. Elas dormiam segurando a certeza de que o alimento do dia seguinte não iria faltar.

A verdade é que vivemos melhor quando temos algo em que nos segurar para suprir as nossas necessidades. Quando há uma reserva financeira para os imprevistos; a despensa tem alimento para o mês inteiro; as contas já estão pagas; temos um plano de saúde; temos a certeza de que nosso emprego vai durar toda nossa vida; etc. Temos que admitir que a dúvida de que nossas necessidades serão supridas é algo altamente perturbador. Quantas noites de sono você já perdeu por conta desta dúvida? Quantos dias você passou de mau humor, ou sem ânimo para fazer as coisas? Ou mesmo, quantas doenças já contraiu por causa desta preocupação? Mas, já pensou em viver com a certeza de que nada lhe faltaria?

É possível isto? Você pode perguntar. Diante de tantas incertezas e adversidades na vida é possível viver com a certeza de que nada irá me faltar? Um versículo da Bíblia que diz que é.

É um dos versículos mais conhecidos da Bíblia. Provavelmente é o primeiro versículo memorizado pelas crianças.

Creio que você já percebeu que estou falando do Salmo 23.1: O SENHOR é o meu pastor e nada me faltará. O salmo inteiro é bastante familiar. Creio que, depois da oração do Pai Nosso, esta o seja a porção bíblica mais citada em filmes. Esta familiaridade é um perigo. Falando sobre isto, Robert Ketcham, autor do livro Salmo 13, Nada me faltará, disse o seguinte: “Ninguém dá valor àquilo com o que já está acostumado. Acho que a finalidade dessas palavras é indicar que a apreciação ou a aversão por certas situações pode ser gradualmente modificada pela associação constante. O certo é que a longa familiaridade com uma passagem das Escrituras,... pode fazer com que alguém embote o fio da apreciação, não sentindo mais o seu impacto”.

É provável que por conta da familiaridade com este salmo não percebemos a sua riqueza para nossas vidas. O primeiro versículo, que resume todo o salmo, já demonstra esta riqueza. Duas grandes declarações são feitas: O SENHOR é o meu pastor, e a segunda que é conseqüência da primeira: Nada me faltará. Ter uma vida com a certeza de que nada vai faltar é para os que têm o SENHOR como seu pastor, aqueles que foram feitos ovelhas do seu pastoreio (Sl 100.3).

O escritor deste salmo já tinha sido pastor de ovelhas. Ele sabia que a principal função de um pastor é cuidar das ovelhas. Providenciar que elas tenham alimento, descanso e proteção. Ele mesmo já havia guiado suas ovelhas pelos arredores de Belém para que elas tivessem estas coisas. Já havia inclusive arriscado sua vida para que suas ovelhas fossem salvas (1Sm 17.34,35). Ele também já havia experimentado em sua vida o suprimento do Pastor de Israel (Gn 49.24). Davi muitas vezes precisou de alimento, descanso e proteção, e Deus nada havia lhe deixado faltar. Por isto ele pode fazer uma declaração tão ousada, tão confiante. O restante do salmo é uma exposição da grande confiança de Davi no cuidado de Deus. Ele descreve Deus como o Pastor e como um Anfitrião que recebe Seu povo em Sua casa.

Tal como Davi cada um de nós pode ter a mesma certeza de que nada vai nos faltar. Basta seguirmos Jesus como nosso Pastor.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

COMEÇANDO CADA DIA COM A ALMA SACIADA


A sensação de saciedade muito influencia nossa vida. Quando não se sente saciada as pessoas podem: comer compulsivamente, perder o humor e a alegria, sentir-se infelizes, entregar-se à bebida, ao sexo desenfreado, ou a qualquer outro vício. Sentir-se satisfeito é ingrediente imprescindível para que nossos dias de 2011 sejam felizes.

Estar saciado tem o significado literal de estar satisfeito por ter se alimentado o suficiente de modo que já não mais se experimenta fome ou sede. Foi isso que aconteceu com o povo de Israel depois de receber o maná (Sl 105.40), e também com a multidão que seguia Jesus, depois da multiplicação dos pães (Mt 14.20,37). A expressão carrega as idéias de fartura e abundância, de modo que a pessoa não tem necessidade ou carência, ela está completa daquilo que precisa. Isto causa uma alegria, por isso a palavra também dá a idéia de satisfação e contentamento.

Alimentar-se a ponto de ficar saciado é uma graça de Deus, pois é Ele quem farta a terra, os animais e os homens (Sl 104.13,16,28;105.40; 147.14). Portanto devemos manifestar nossa gratidão por esta bênção louvando-o, pois ter o suficiente é resultado da bondade de dEle (Jl 2.19,26;Ne 9.25; Sl 103.5).

Mas só há satisfação quando há obediência a Deus. Sem isso, por mais bem alimentados que estivermos, sempre estaremos insatisfeitos, e não haverá fartura que mate o nosso desejo (Lev 26.26). Foi isso que aconteceu com o povo de Israel no deserto, e depois em Canaã, quando abandonaram a Deus (Sl 78.29,30; Os 4.10; Am 4.8).

Sem Deus nenhuma riqueza satisfaz, sempre se busca mais, e nunca se sente completo (Ec 5.10; Hab 2.5).

Sem Deus nenhuma fome é saciada (Is 9.20; Mq 6.14).

Sem Deus nenhum dinheiro é suficiente para nos saciar (Ez 7.19).

Sem o temor de Deus o desejo sexual é insaciável (Ez 16.28,29).

Sem Deus, mesmo cheios, nos sentiremos vazios.

Ficamos devidamente saciados somente quando há obediência a Deus (Sl 81.13-16), porque a vida não está na abundância de bens (Lc 12.17), e sim em temer a Deus (Pv 19.23).

Por isso nossa maior fome, nosso maior desejo deve ser o de ser saciado com a presença de Deus. Este era o anseio de Davi, mesmo quando enfrentava intensa perseguição. Em contraste com os homens que almejavam apenas os bens desta vida, e ficavam satisfeitos em ter fartura das coisas terrenas, seu anseio era ver Deus, desfrutar da comunhão com Ele, era isso que o saciaria (Sl 17.14,15). O seu maior bem era Deus, pois sabia que na presença de Deus seria saciado de alegria (Sl 16.2,3,5). Quando teve que ficar exilado no deserto de Judá, seu maior desejo era a comunhão com Deus, era desfrutar do amor de Deus. Isto era comparável a participar de um grande e gostoso banquete, que saciava a alma (Sl 63.1-5). A suprema felicidade estava em ser escolhido por Deus para viver constantemente na presença Dele, e ficando saciado com a bondade e beleza que se manifestava no tabernáculo onde Deus era adorado (Sl 65.4).

Quando Deus não é nosso desejo maior, nossas prioridades serão invertidas, nossos desejos e prazeres ocuparão o lugar do Reino de Deus, e a insatisfação tomará conta de nossa vida, nosso dinheiro termina por ser gasto naquilo que não satisfaz (Is 56.11). Foi assim que o povo do pós-exílio se comportou, mais preocupado em ter suas casas bonitas, do que em construir a casa de Deus, buscaram uma vida farta, mas tiveram falta de vida (Ag 1.6).

Outro perigo que corremos quando nossa satisfação está nas coisas e não em Deus, é que podemos buscar Deus para ter as coisas, isto é o equivalente a usar Deus para nossos fins. Fazer de Deus um objeto, e não aceitar a realidade de que Ele é o Ser Supremo. Além disso, depois de estarmos saciados com estas coisas, esquecemos Deus. Esta foi uma das advertências feitas ao povo de Israel no deserto (Dt 6.10,11). Infelizmente, foi exatamente isso que o povo de Israel fez (Dt 31.20; Os 13.6).

A solução para isso é o louvor a Deus, reconhecendo que a fartura vem Dele (Dt 8.10-14). Também devemos orar pedindo que Deus nos guarde de achar que a vida está nas coisas (Pv 30.8,9). E imitar o apóstolo Paulo, fazendo de Deus a fonte de nosso contentamento, aprendendo a viver contente em toda situação (Fp 4.12). Tanto na vida farta, como na vida onde há falta.

Por isso Moisés orou para ser saciado pela graça de Deus cada manhã. Ele sabia que a vida sobre a terra era atormentada pela brevidade, ela simplesmente voava, e também pela pecaminosidade, que atraia a ira de Deus. Por isso orou, pedindo que Deus os fartasse com Sua graça, com Seu amor fiel, logo pela manhã. Só assim, eles poderiam ter dias alegres (Sl 90. 1-14). Porque é a bondade de Deus que nos farta a ponto de nos renovar (Sl 103.5; Jr 31.14).

John Piper, no livro, “Quando não desejo Deus” argumenta que esta oração deve ser pela manhã, porque convence nossa consciência de que isso é importante, por fazemos logo no início do dia, deixar para depois indica que não consideramos de valor. Também o que fazemos pela manhã tem a tendência de moldar o resto do nosso dia. Outra razão é que tomamos a iniciativa contra o inimigo, ao invés de esperar o ataque dele, nós golpeamos primeiro.

Vamos iniciar nossos dias reconhecendo que a felicidade não está nas coisas, nem nos dons que Deus nos dá, mas no próprio Deus que nos dá estes dons. Oremos: Sacia-nos Senhor com a tua graça, logo pela manhã.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

COMEÇANDO O DIA COM A MENTE CONCENTRADA


Concentrar é o ato de fazer convergir para um centro ou reunir num só lugar coisas ou pessoas. Quando aplicada à mente significa reunir todos os nossos sentidos e energias para um único centro de atenção. Concentrar é algo difícil, exige disciplina. Especialmente no mundo moderno, onde nossa atenção é convocada para vários lugares. Em alguns momentos gostaríamos de ter mais olhos, mais ouvidos, mais mãos, e acima de tudo mais do que uma mente. Mas, como não temos, precisamos escolher para qual centro vai nossa atenção.

A falta de concentração causa-nos transtornos, e algumas vezes, prejuízos. Podemos esbarrar nas pessoas, tropeçar em objetos, falhar ao cumprir as ordens, etc., por não estarmos concentrados. Nossa incapacidade de lembrar é porque faltou concentração na hora de aprender. Acidentes podem ocorrer por desconcentração. Às vezes temos que fazer uma coisa mais de uma vez simplesmente porque não estávamos concentrados quando fizemos pela primeira vez, reler um parágrafo ou voltar a página de um livro é um exemplo.

No caminhar com Deus também precisamos de concentração. Neste terceiro artigo sobre como começar bem cada dia de 2011, vamos falar sobre a concentração, ou melhor, o pedido para que Deus nos dê uma mente concentrada. A base deste pedido está no Salmo 86.11: Ensina-me, SENHOR, o teu caminho, e andarei na tua verdade; dispõe-me o coração para só temer o teu nome.

O salmo é uma oração, na qual o servo do SENHOR clama pelo socorro de Deus, pois ele se encontra numa situação de adversidade, provocada por inimigos que não temem a Deus. Além de clamar ele confessa sua confiança na misericórdia e grandeza incomparável de Deus. Só que ele não quer apenas ser salvo dos inimigos externos. Há um inimigo interior, seu próprio coração, que precisa da ação de Deus, pois de nada adiante ser salvo dos perigos externos, se formos deixados a mercê de nossa vontade inconstante e distraída.

Por isso ele pede que o Senhor o ensine, para que ele viva nos caminhos verdadeiros de Deus, e roga por um coração disposto para temer o SENHOR. O termo traduzido como “dispõe” ou “une” em nossas versões, traz a idéia de “ajuntar”; “unir-se a um agrupamento”, “reunir” (Gn 49.6; Is 14.20), ou “estar inteiro”, não quebrado (traduzido “incólume” no Sl 141.10). A versão grega do Antigo Testamento usou um termo que indica algo fixo e imóvel, como o navio encalhado na praia (At 27.40).

Podemos entender que o salmista está pedindo que Deus lhe dê um coração inteiro, não dividido, mas íntegro, um coração voltado para um só centro. Ele quer que todas as suas afeições sejam unidas num só propósito, que sua atenção tenha uma determinação exclusiva. Que ele tenha apenas um foco, voltado fixamente para um só centro. E este centro é o temor de Deus.

“Temor” é usado na Bíblia para expressar uma atitude de reverência e respeito; a emoção do medo; o pensamento que prevê o erro; um comportamento correto; e o ato de cultuar. Todos estes usos podem ser aplicados no nosso relacionamento com Deus. Mas o contexto deste versículo indica que o salmista está se referindo a uma atitude de um respeito saudável diante de Deus, que leva à obediência aos mandamentos dEle (Ex 20.20). Este temor é o que torna uma pessoa sábia (Pv 1.7), tal qual aquela que por ter visto os perigos da eletricidade, procura os modos adequados de lidar com ela.

Esta oração é necessária, pois o desejo de obedecer a Deus não é natural ao nosso coração pecaminoso (Rm 3.12). Além disso, enfrentamos a tentação de deixar que os cuidados, riquezas e prazeres da vida, e os demais desejos, concorram com a Palavra, e assim nos distraiam, amontoando-se em nossa mente, tomando nossa atenção e assim sufocando e tornando a Palavra infrutífera (Mc 4.19; Lc 8.14).

Muitas vezes nosso coração está partido, nossa mente dividida entre muitas atenções. Quantas coisas para fazer, quantas preocupações, mas também muitas atrações, muitos medos, temores, tentações, desejos, etc. Pegamos a Bíblia para ler, ou nos curvarmos para orar, e após alguns minutos nossa mente está voando em outras direções.

É preciso começar o dia clamando para que Deus nos dê uma disposição firme para manter como alvo fixo em nossa mente o desejo de obedecê-Lo, sem se desviar por causa de ameaças ou recompensas. Que as outras atrações sejam vistas como pouco compensadoras diante do prazer que a obediência a Deus nos traz. Sem concentração, deixando nossa mente distrair com outros centros, não iremos apreciar a Palavra e presença de Deus.

Além de um coração inclinado para Deus, olhos abertos para a Palavra de Deus, peçamos também uma mente concentrada em obedecer a Deus.

O VALOR DE LER LIVROS

                 A tecnologia acelerou significativamente nossas vidas, criando uma demanda por gratificação instantânea.  Essa mudança, ali...