terça-feira, 11 de setembro de 2012

COMO SABER O QUE É MELHOR?

       Sempre desejamos o melhor. Exemplos: quando temos a possibilidade de escolher entre dois produtos, escolhemos aquele que entendemos ter qualidades superiores; e quando é necessário decidir entre certas situações, preferimos aquela que, segundo nossa avaliação, possui o máximo de atributos para satisfazer nossa apreciação. 
    A busca pelo melhor, guia nossas decisões. Mesmo quando escolhemos o que, aparentemente não é o melhor, é porque acreditamos que isso é o mais adequado a ser feito naquela situação. Exemplo: você não escolhe o melhor pedaço de bolo, pois quer deixá-lo para um amigo, isso é um sacrifício. Mas,você agiu assim por julgar que o sacrifício era o melhor a se fazer naquela situação. 
       Até as decisões desesperadoras foram orientadas pelo que se acreditou ser o melhor. Um suicida pensou que tirar sua própria vida era a melhor saída para a situação que enfrentava. Agiu assim porque acreditou que a morte era melhor que a vida naquele momento. 
       É esta busca pelo melhor que nos move. O problema é que nem sempre sabemos o que é melhor. Por isso, algumas, senão muitas, de nossas decisões são equivocadas. Fazemos escolhas pensando que elas são as melhores, só depois descobrimos que não eram. Nosso juízo do que é melhor depende de nossa escala de valores. O melhor será sempre aquilo que julgamos mais valioso, mais importante, e mais benéfico. No final das contas, nossos valores determinam nossa vida. 
    Por sermos finitos, somos dependentes para formar nossos valores. A princípio adquirimos estes valores do mundo que nos rodeia: nossos pais, parentes, professores, amigos, etc. Com o tempo descobrimos que estes valores nem sempre são suficientes para nos orientar na escolha do que é melhor. Notamos que a vida é muito complexa e nós somos simples demais; que ela nos oferece muitas possibilidades, mas nós somos limitados; que o futuro é muito incerto e nós não temos o poder de adivinhar. Cedo podemos perceber que não conhecemos a vida o bastante para identificarmos o que é melhor. 
    Mesmo com muita pesquisa e estudo o conhecimento humano não é completo. É comum ouvirmos que uma descoberta de hoje desmente o que ontem foi anunciado como melhor. Os costumes mudam, as opiniões das pessoas que nos rodeiam nem sempre são coerentes, como diz Provérbios 16.29: "O homem violento alicia o seu companheiro e guia-o por um caminho que não é bom." Tudo isso nos deixa  confusos sobre o que é melhor. 
    Quais são os valores superiores, mais adequados e acertados para nossa vida? Como saber quais são estes valores? A pergunta feita pelo escritor de Eclesiastes, há quase três mil anos, continua ecoando “Pois quem sabe o que é bom para o homem durante os poucos dias da sua vida de vaidade, os quais gasta como sombra?” Eclesiastes 6.12. 
    Deus, que é o Criador da vida e o Conhecedor do futuro sabe o que é o melhor, conhece o que é bom, pois Ele é bom em Sua essência. "Rendei graças ao SENHOR, porque ele é bom"  (1 Cr 16.34). Quando Ele criou o universo, fez tudo bom, "Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom". (Gn 1.31). Também pensou no que era melhor para o homem: "Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só" (Gn 2.18). Ele é o Soberano capaz de transformar o que seria mal, em algo bom, como disse José a respeito do mal que seus irmãos tentaram fazer contra ele: "Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem" (Gn 50.20).  
    Ele planejou dar o melhor para o Seu povo: "o SENHOR prometeu boas coisas a Israel."(Nm 10.29). Ele revelou ao Seu povo o bem: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom” (Miquéias 6.8). Fez isso dando a Sua palavra através de Seus profetas que a ensinaram ao Seu povo: "Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal" (Dt 30.15; ver ainda 1 Sm 12.23). É Ele quem faz o Seu povo ver o bem: "Há muitos que dizem: Quem nos dará a conhecer o bem? SENHOR, levanta sobre nós a luz do teu rosto."(Sl 4.6), e dá o Espírito Santo que nos ensina, "E lhes concedeste o teu bom Espírito, para os ensinar"(Neemias 9.20). 
    Sabemos o que é melhor pedindo que Ele nos dê sabedoria para discernirmos o que é bom: "Tu és bom e fazes o bem; ensina-me os teus decretos".(Salmo 119.68), e buscando conhecer este bem: "Buscai o bem e não o mal, para que vivais; " (Amós 5.14). 
   Algumas vezes Ele nos deixa passar por aflições para aprendermos o que é melhor: "Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos."(Sl 119.71). Ele cerca os maus caminhos que escolhemos, para que entendamos que o melhor é voltar para Ele, como fez com o povo de Israel  (Oseias 2.7).  
   Como nossa existência é vivida sempre diante Dele, e é a Ele que daremos conta, o melhor para nós é agradá-Lo: "Guarda e cumpre todas estas palavras que te ordeno, para que bem te suceda a ti e a teus filhos, depois de ti, para sempre, quando fizeres o que é bom e reto aos olhospan>" (Dt 12.28). 
    Sem Deus, o melhor que conseguimos da vida é canseira e enfado: "Os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta; neste caso, o melhor deles é canseira e enfado, porque tudo passa rapidamente, e nós voamos."(Salmo 90.10).
    É na obediência a Ele que encontramos o melhor: "Dar-lhes-ei um só coração e um só caminho, para que me temam todos os dias, para seu bem e bem de seus filhos." (Jr 32.39, ver ainda Dt 6.24; 10.13).

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

UM DESAFIO AO PROFETA JEREMIAS, MAS QUE SERVE AOS PREGADORES DE TODAS AS ÉPOCAS

          Jeremias foi um profeta que pregou a palavra de Deus por mais de quarenta anos.
          Durante este tempo foi perseguido, ameaçado, surrado, aprisionado, sequestrado e levado ao Egito. Ele sofreu solitário, sem companhia de amigos e família, abandonado por parentes e amigos.
          Depois de vinte e três anos pregando ele testemunhou que o povo de Judá não lhe dava ouvido, mas ele persistentemente continuava anunciando a mensagem do Senhor (25.1-3). Ao invés de ouvir a Palavra de Deus que convocava a uma mudança de vida, o povo preferia as mensagens adocicadas dos falsos profetas (23).
          Algumas vezes o profeta lamentou o seu ofício. Sentia de modo intenso a tensão entre pregar o que Deus ordenou e sofrer a perseguição, ostracismo e ridicularização dos homens, ou calar e não anunciar mais o que Deus havia mandado e ainda sofrer a pressão interna criada pela compulsão da obediência a Deus. Confiando na força e presença de Deus, ele preferiu enfrentar o primeiro tipo de tribulação (20.7-11).
          Numa de suas crises, ele lamenta a situação a qual Deus lhe havia imposto, e pergunta se Deus não lhe seria apenas uma miragem, um ilusório ribeiro de águas, que quando ele mais precisasse descobrisse que o ribeiro secou. Parece que estava se sentindo tentado a conformar sua mensagem às expectativas dos ouvintes. Deus lhe responde convocando-o ao arrependimento, pois assim Deus o restauraria e o fortaleceria para continua cumprindo a missão dada. Deus insta para que Jeremias continuasse falando o que era de valor, e não uma mensagem insignificante. Era o povo que deveria se conformar à mensagem, e não a mensagem se adequar ao povo. (15.15-21).
          Os pregadores da Palavra de Deus devem crer que é o ouvinte que deve ser mudado pela pregação e não a pregação ser mudada pelos desejos e expectativas do ouvinte. A Palavra muda o homem, e não o homem a Palavra.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

SEM MEDO DE SER DIFERENTE


         Geralmente ser diferente causa medo. Medo que assombra tanto quem é diferente, como aqueles dos quais o diferente difere.
         Diferente é aquilo que é raro, incomum, não frequente, e na maioria das vezes desconhecido, e tudo isso amedronta. A diferença normalmente é interpretada como divergência, desavença e falta de harmonia. E esta dissonância agride os ouvidos.          A diferença obriga as pessoas a reverem seus valores, a refletirem sobre suas escolhas tão semelhantes e comuns, e a avaliarem suas razões (que na maioria das vezes é baseada no que todo mundo faz e no que todo mundo pensa e diz). Este processo é desconfortável. Pode produzir mudanças, e estas assustam. Por isso, o diferente causa medo. 
         Mas o diferente também sente medo. Ser diferente é nadar contra a correnteza, o que exige um maior esforço. Ser diferente é andar na contramão, e isso é perigoso. Pode ser atropelado pela perseguição, o escárnio, e a pressão para se tornar igual a todo mundo e deixar de ser diferente. 
         Não gostamos de ser diferentes. Quando nos portamos diferentes, ou é porque queremos protestar, chamar a atenção,impressionar, ou orgulhosamente nos mostrar superiores, ou porque temos consciência da necessidade de agir assim. Nestes casos, ser diferente é algo dolorido e desconfortável, e exige coragem.
         Temos medo de ser diferentes. O medo sempre é causado por algo que ameaça aquilo que valorizamos. Há dois valores que prezamos muito: nossa integridade física e nossa imagem (nosso nome ou nossa estima). Ser diferente pode ameaçar estes dois bens preciosos.          Onde domina o totalitarismo, ter uma posição diferente da maioria pode causar perda da liberdade, sofrimento físico e até morte. Em culturas onde não há este totalitarismo, a imagem é o bem mais ameaçado. Ser diferente pode causar ostracismo, desprezo, perda de negócios, isolamento social, calúnias e rejeição. Isto tudo causa sofrimento e dor, gerando medo. 
         Este medo irá se manifestar em fuga, timidez, vergonha, desânimo, desespero, abandono de posição, mudança de convicções, e desistência de tarefas e missões. 
         Penso que foi por isso que o apóstolo Paulo escreveu para Timóteo reavivar o dom que Deus lhe havia dado (2ª Timóteo 1.6-8). “Por esta razão, pois, te admoesto que reavives o dom de Deus que há em ti pela imposição das minhas mãos. Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação.Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus” 
         Eram tempos difíceis e de perseguição. Paulo encontrava-se preso, sem perspectiva de livramento e acreditava que o final de sua carreira terrestre havia chegado (2ª Tm 4.6).          Ele lembra Timóteo que o dom que Deus lhe havia dado não deveria se apagar. As perseguições e pressões daqueles tempos poderiam jogar água fria tanto na fé sem fingimento, como na herança espiritual de valor, como no dom que Deus havia dado a Timóteo. 
         As brasas para manter este fogo aceso já haviam sido fornecidas. Deus não dera espírito de covardia. O termo traduzido como covardia (em outras versões aparece timidez) descreve a atitude de alguém que se amedronta e se apavora, e por isso deixa-se levar pelo desespero ou desânimo. Como os discípulos diante da tempestade (Mt 8.26 e Mc 4.40). 
         Sabendo que a natureza pecaminosa é propensa à covardia, Deus não poupou incentivo para que seu povo deixasse de lado esta atitude. Várias vezes Ele exortou o povo de Israel a não se intimidar diante da missão de conquistar a terra prometida (Dt 1.21; 31.6,8; Js 1.9; 8.1; 10.25). Como a timidez é algo contagiante, Ele ensinou que os medrosos não deveriam ir à guerra, pois poderiam desanimar os outros (Dt 20.8; Jz 7.3).  
         Jesus prometeu sua paz aos discípulos, e os exortou a não se intimidarem ou se acovardarem diante das situações que viriam (João 14.27). Também é dito que os tímidos ou covardes não habitarão no novo céu e na nova terra, mas que a parte deles será o lago de fogo (Apocalipse 21.8). 
         Ao invés de covardia, Deus havia dado um espírito de poder, amor e moderação. O poder do Espírito Santo, que nos capacita a cumprir a tarefa que Ele nos dar; o amor, que nos faz temer a Ele e não aos homens; e a moderação, que é a disciplina que mantém a mente alerta, numa atitude equilibrada, com a disposição para cumprir a missão recebida diante de qualquer ameaça. Isto é suficiente para que se tenha energia para manter acesa a luz do testemunho cristão, que faz a diferença. 
         O medo pode levar a pessoa a sentir-se envergonhada por ser diferente. Por isso, Paulo diz para Timóteo não se envergonhar nem do testemunho de Jesus nem do aprisionamento de Paulo. Mas se tornar um participante no sofrimento.          O próprio Paulo não se envergonhava de seu sofrimento, e elogia Onesíforo, que não se envergonhava das prisões do apóstolo (2 Tm 1.12,16). Jesus não se envergonhou de agir em prol de nossa salvação (Hb 2.11; 12.2), como Deus não se envergonha daqueles que deixaram o mundo, tornando-se diferentes, para herdar a pátria celestial (Hb 11.16). Para fazer a diferença é preciso ter a coragem de ser diferente. 
         A vergonha, que é o medo de ser ridicularizado pelos homens, trará consequências eternas, Jesus irá se envergonhar diante do Pai, daqueles que se envergonharem Dele aqui (Mc 8.38; Lc 9.26). 
         A coragem para ser diferente hoje, dará a você um destino diferente na eternidade (1 Jo 2.28).

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O PIOR AINDA PODE ACONTECER!

 
      
        “O pior aconteceu!” esta frase é muita usada, e indica que um desastre, uma tragédia, algo não desejado e muito temido ocorreu. Mas creio que esta declaração só pode ser aplicada com propriedade a uma única situação.
         “Pior” é um termo usado numa relação de comparação. Expressa algo que não apenas é ruim, mas ruim de uma maneira absoluta, maior do que todas as outras ruindades. Pior é aquilo que é inferior a tudo, abaixo dele não tem mais nada nem ninguém. Pior é o equivalente a estar no fundo do poço, numa situação na qual o prejuízo extremo ocorreu. Pior significa que o mais terrível aconteceu.
         Pensando assim, nosso uso comum da frase “o pior aconteceu” é sempre relativo, pois a vida sempre pode piorar. Nenhum de nós passou pela situação pior, ainda. Por mais trágico que tenha sido o acontecimento, ainda poderia ser pior. Por mais gente que tenha morrido, ainda poderia ter morrido mais. Por mais grave e dolorosa que foi a doença, ainda poderia doer mais. Por maior que tenha sido o prejuízo, ele ainda poderia ser pior. E assim por diante.
         Não estou negando que não haja situações trágicas e dolorosas. Existem, e muitas. Há doenças que maltratam bastante. Há desarmonias que ferem nossa alma. Há decepções que nos arrancam pedaços. Há frustrações que nos fazem desejar a morte. Há fracassos que nos dão a impressão que o mundo acabou. Há medos que nos paralisam. Há perdas que nos deixam perdidos. Imagino a situação de um pai que não tem recursos para saciar a fome de seus filhos, isso é terrível. Penso ainda nos pais que perderam um filho, isto é uma tragédia que causa uma dor que nunca será curada nesta vida. Enfim, há muitas situações funestas. Mas nenhuma dessas ainda é a pior.
         Quando a vida é pensada corretamente, a declaração de que o pior aconteceu só pode ser aplicada, de modo absoluto, a uma situação: sermos condenados diante do Tribunal de Deus.
         A verdade de que haverá um juízo para todos é afirmada do início ao fim nas Sagradas Escrituras. Vamos lembrar apenas alguns textos. Em Eclesiastes 11.9 e 12.14 lemos “Alegra-te, jovem, na tua mocidade, e alegre-se o teu coração nos dias da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas essas coisas te trará Deus a juízo”. “Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más”.
         Jesus afirma em Mateus 12.36 “Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo.” O apóstolo Paulo, pregando em Atenas, disse “porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça,” (Atos 17.34). Aos Romanos ele escreveu “no dia em que Deus, por meio de Cristo Jesus, julgar os segredos dos homens, de conformidade com o meu evangelho.” (Rm 2.16) e “Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus.” (Rm 14.12). João teve uma visão do juízo final “Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros." (Ap 20.12).
         A Bíblia também declara que muitas pessoas serão condenadas neste julgamento. Jesus disse em Mateus 25.41 “Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”. Em Apocalipse 21.8 é dito “Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte”. Ainda em Apocalipse 20.15 lemos “E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo”.
         O Senhor Jesus afirmou que pior do que passar por sofrimentos nesta vida, é receber o castigo eterno. Em Mateus 10.28 Ele afirmou “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo”. E em Mateus 18.8: “Portanto, se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno”. Poderíamos parafrasear estas últimas palavras assim “é pior manter os membros do corpo e não entrar na vida, mas ser lançado no fogo eterno”. Jesus está dizendo que há algo pior do que os sofrimentos desta vida.
        Imagine chegar diante de Deus e ouvir “apartai-vos de mim malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mateus 25.41). Isto sim, será o pior que nos pode acontecer.
         Diante do juízo de Deus tudo o mais se tornará comparativamente irrelevante. Todo sofrimento aqui, comparado à condenação eterna, é quase nada. Todo prazer desfrutado aqui perde seu encanto quando comparado ao desprazer de ser rejeitado por Deus e lançado para uma eternidade no lago de fogo!      
        Isto é o que de pior nos pode acontecer. Sabendo disso, devemos ter duas reações:
         - Uma de alento: já que o pior ainda não aconteceu, ainda há esperança!
         - Outra de advertência: já que o pior ainda pode acontecer, é preciso tomar cuidado, e acertar a vida com Deus, antes que isso aconteça!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

EU SÓ QUERO É SER FELIZ!

    “Eu só quero é ser feliz !” é parte do refrão de uma música na qual o autor diz que a felicidade é seu único desejo. Penso que todos concordam com isso. Nós só queremos ser felizes! A felicidade é o anseio de todas as pessoas. É o desejo que norteia toda nossa vida, orientando todas as nossas escolhas, dirigindo todo nosso caminhar e concentrando toda nossa atenção. 
    Mas, o que é a felicidade? Onde encontrá-la? Estas duas perguntas acompanham este desejo tão perseguido. Sem respostas definidas, somos como pessoas que procuram algo que não sabem bem o que é, nem onde achar. 
    De modo geral podemos dizer que ser feliz é ter os desejos satisfeitos, os anseios conquistados, os sonhos realizados. Ser feliz é ter as dores curadas, as ameaças afastadas, os problemas resolvidos. Ser feliz é uma vida sem problemas, com tudo arrumado, tudo no lugar que achamos adequado. Uma vida assim é morar no estado da felicidade. 
    Então surge a outra pergunta: onde está essa felicidade? Onde fica este estado? Como ter uma vida assim? Há uma receita para a felicidade? Há um segredo que possa desvendar como atingir tal estado de beatitude? Há uma trilha, um caminho, que possa me conduzir a este mundo ideal? 
   Através da história várias respostas foram dadas a estas perguntas. A princípio, a felicidade foi considerada, uma graça dos deuses, ou um produto da sorte, algo que o destino reservara a alguns. “Não tenhamos por feliz homem algum, até que tenha alcançado, sem conhecer doloroso destino, o último de seus dias” assim se expressou o autor grego Sófocles, em sua peça teatral: Édipo Rei. A felicidade era algo que acontecia a alguém, algo que não se buscava, mas que se encontrava no caminhar da vida, se a sorte ou os deuses nos sorrissem. 
    Depois, passou-se a crer que a felicidade era algo a ser buscado, especialmente pelo cultivo de certas virtudes, e até fazendo certos sacrifícios. Sthephen Covey, no livro Os Sete Hábitos das pessoas altamente eficazes diz que “Felicidade... fruto do desejo e da habilidade de sacrificar o que queremos agora em função do que queremos futuramente"(Pg 59) . A felicidade era algo a ser conquistado com certa disciplina.
    Em épocas mais recentes ser feliz passou a ser um direito, não apenas algo a ser buscado, mas  exigido. A felicidade tornou-se algo que o marido cobra da mulher, esta do marido, os filhos a reclamam dos pais, e todos demandam das autoridades que lhes proporcionem um estado feliz. 
    Agora, a felicidade é considerada natural ao ser humano, portanto nenhum sacrifício é requerido. Cobramos dos outros a nossa felicidade, e não queremos fazer nenhum esforço para obtê-la. Queremos ser felizes já e de modo fácil. Isto é percebido nas coisas e lugares onde a felicidade é procurada. 
    “Está infeliz? Vá ao shopping e compre o que quiser. Vá se divertir. Vá a uma festa. Saia com os amigos. Tome umas e outras. E se nada disso resolver, tome Prozac. Não deixe que nada impeça sua felicidade. Se o problema é seu casamento, acabe com ele. Se, é o trabalho, arrume outro. Se, é a escola, mude para outra. Crie seu mundo e seja feliz. Brigue com quem lhe atrapalha e alcance a felicidade. E intime todos que lhe permitam ser feliz.” 
    Quando buscamos a felicidade nas coisas, notamos que ela logo enfraquece, não é duradoura, e então buscamos outras coisas, como uma dose mais forte, para produzir o mesmo efeito. Assim, somos como crianças, quando ganham um brinquedo novo ficam cheias de felicidade, até enfastiar daquele brinquedo e chorar pedindo outro. 
    O que será que a Bíblia nos diz sobre a felicidade? O que Deus nos falou sobre o que é, e como alcançar a felicidade? Será que algo nos é dito por Ele sobre como é este estado de beatitude e de plena alegria, e como nós podemos atingi-lo? Será que Deus tem uma receita para a felicidade? 
    Há uma expressão bíblica que expressa o que é ser feliz e como ser feliz conforme a receita de Deus. Ela é traduzida nas nossas versões como “Bem-aventurado”, e aparece várias vezes, tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento. Talvez a parte mais conhecida seja as bem-aventuranças pronunciadas por Jesus em Mateus 5.1-12. 
    Esta palavra era usada nos tempos bíblicos para apontar alguém que era feliz. Designava aquele que poderia viver sem os cuidados e preocupações que afligem os demais homens, sendo digno de ser invejado por ser abençoado por Deus, e por isso  podia viver de modo correto e próspero. Ela também poderia ser traduzida como: “Ah! Que felicidade a de...”; “Oh! como é feliz aquele que...”; “Como é recompensadora a vida de ...”; “Como é abençoada a pessoa que..”, "Quão afortunado é aquele que...", etc. Estudando esta expressão na Bíblia, você poderá descobrir o que é a felicidade, conforme Deus, e como conseguimos obtê-la.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

FELICIDADE COMEÇA COM FÉ

       Viajando de São Paulo a Curitiba, sintonizei um programa evangélico cuja  qualidade me atraiu. Programa muito agradável, com leituras bíblicas acompanhadas de pequenas, mas profundas meditações, e leituras de trechos de livros evangélicos edificantes comunicados pela expressiva voz de duas apresentadoras.  Mas o que mais me atraiu foi o nome do programa: “Felicidade começa com fé”.    
     Percebi que a frase fazia um jogo de palavras para que a verdade fosse reforçada. Com um pouco de esforço notamos que a palavra “felicidade” começa com “fé”, especialmente se nosso sotaque pronunciar o “e” de forma aberta, como sendo um “é”.  Mas, mesmo que o sotaque não seja assim, a verdade teológica permanece: a felicidade só é possível com fé. A fé é o princípio da felicidade, é com ela que a felicidade começa.
      Esta verdade é declarada por Jesus em João 20.29: “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.”. A expressão “bem-aventurado”, quer dizer: feliz, abençoado, venturoso. Ela se refere a alguém que recebeu a graça de ser feliz, e de desfrutar da alegria. Neste versículo Jesus declara que felizes são os que crêem. Isto é, para ser feliz é preciso ter fé. Mas, que tipo de fé? Todas as pessoas têm fé, mas nem todas são felizes. O contexto do versículo nos indica qual é a fé que traz a felicidade, ele nos mostra o tipo de fé que inicia a felicidade.
      É a fé que não depende das evidências físicas. Neste capítulo temos o relato de três aparições pós-ressurreição de Jesus. Ele já havia aparecido para Maria Madalena e para um grupo dos discípulos, mas Tomé não estava neste grupo. Estes discípulos contaram para Tomé a alegre notícia: Nós vimos Jesus, Ele ressuscitou. Mas ele não acreditou no testemunho deles. Os discípulos repetiam a verdade da ressurreição de Cristo, e Tomé continuava exigindo as provas visíveis e tangíveis da ressurreição. Ele dizia de modo bem enfático: Nunca jamais crerei se não vir  (João 20.25).
      Por causa disso, Tomé não compartilhava a felicidade dos outros discípulos, ele recusava acreditar na palavra de pessoas com quem havia convivido durante algum tempo. Ele queria ver e tocar, para saber que não era uma ilusão coletiva, ou mesmo um engodo de outro homem fazendo-se passar por Jesus.
      Noutra situação, Maria agiu diferente, mesmo sem ver, acreditou que as palavras de Deus se cumpririam, por isso foi abençoada. Bem-aventurada a que creu, porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor. (Lucas 1.45).
      Ainda hoje pessoas são infelizes porque são incapazes de crer sem as provas. Elas exigem experimentar, tocar e ver, para poder crer. É interessante que elas não exigem isso para crer em outras verdades. Exemplo: não viram o passado, mas acreditam no que lhes contaram. Não viram seus pais concebendo-as, mas acreditam no testemunho deles de que são seus pais. Não viram os portugueses descobrindo o Brasil, mas acreditam nisso. Mas, quando se trata de crer na palavra de Deus, elas exigem evidências tangíveis. Assim, deixam de desfrutar a felicidade que esta fé pode lhes proporcionar.
      Esta fé é resultado da graça de Deus. Jesus não tinha nenhuma obrigação de dar evidências visíveis para Tomé. Pois, já havia dito que iria morrer e ressuscitar (Mateus 16.21; 17.22,23; 27.63). Deus já havia dado a Tomé demonstrações suficientes de que a palavra de Jesus era verdadeira, pois vários milagres já haviam sido realizados, inclusive ressurreições. Mesmo assim Jesus fornece a prova que Tomé exigia, foi uma manifestação de graça. Mas crer sem ver também é resultado da graça de Deus. Jesus disse para Pedro que ele havia crido por causa de uma revelação do Pai, e não por causa das capacidades ou méritos dele (Mt 16.17). Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. Felicidade começa com fé, porque sinaliza a graça de Deus sobre os que creem.
      A fé que traz a felicidade não é uma fé vaga, ela tem um conteúdo bem definido. É a fé que aceita Jesus como Senhor e Deus. Tomé, após ouvir Jesus, reconhece quem de fato Jesus é; Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu! (João 20.28). Pedro também manifestou sua fé abençoada numa confissão que demonstrava a verdade sobre Jesus: Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mateus 16.16).
      Muitas pessoas crêem em Jesus, mas ainda são infelizes, porque o Jesus que elas crêem não é o Jesus da Bíblia. É o Jesus da imaginação delas ou o Jesus que o mundo inventou. O Jesus curandeiro, o menino Jesus impotente nos braços de Maria, o Jesus ainda pendurado na cruz, o Jesus apenas um grande profeta, ou mestre, ou até espírito iluminado, ou ainda o Jesus meu empregado para fazer as minhas vontades. Mas não aceitam o Jesus que é Deus e meu e também teu Senhor, como diz o hino.
      E por último, a fé que traz felicidade tem como alicerce o testemunho das Escrituras. O comentário inspirado que o evangelista João faz nos versos 30 e 31 aponta para esta verdade: Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome. O que foi escrito tem como propósito nos levar a crer em Jesus como o Filho de Deus, e também o Escolhido e Ungido por Deus para nos salvar. Esta crença vai nos dar vida, ela nos fará felizes, porque felicidade começa com fé.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

FELICIDADE É TER SIDO PERDOADO


A principal causa da infelicidade é o pecado. O pecado atrapalha a vida, deixando-a torta, desorientada, perdida. Ele produz tragédias, corrompe nossa mente, traz o medo, as acusações, as brigas, os problemas nos relacionamentos, etc. O pecado coloca culpa na nossa consciência. E uma consciência culpada não desfruta de paz, pelo contrário carrega uma angústia constante, uma agonia que atormenta e nos pressiona, levando-nos a ver a vida como algo sem graça, sem cor, sem sentido.
    A culpa pode levar alguém à loucura, e até mesmo à morte. Resolver o problema da culpa é essencial para nossa felicidade. Algumas pessoas tentam afogar a culpa nos vícios: álcool, sexo, drogas, etc. Outros tentam esquecê-la com uma vida agitada envolvendo-se em muitas atividades, passeios, diversões variadas, compras compulsivas, etc. Ainda há aqueles que procuram compensá-la com trabalhos, serviços aos outros, ou atividades religiosas. Estes são apenas paliativos que aliviam temporariamente a sensação de culpa, como analgésicos que amortizam a dor, mas não curam a infecção.
    O rei Davi passou pela experiência de tentar viver com a culpa sem tratá-la devidamente. Ele nos descreve como sofreu com isso. Mas ele também nos conta a tremenda felicidade de experimentar o perdão de Deus, que é o único remédio que resolve o problema da culpa. Estas descrições estão no salmo 32.
    O salmo começa com a expressão “Bem-aventurado”, que significa “abençoado por Deus”, “feliz”, “realizado”, “afortunado”.  Davi está dizendo “Oh! Como é feliz, e como vale a pena, a vida de alguém que foi perdoado”.
    O pecado é descrito como transgressão, rebeldia, infidelidade. É o não viver conforme os alvos estabelecidos por Deus. Pecar é fracassar em fazer a vontade de Deus. O pecado nos engana e seduz, nos leva a viver de modo mentiroso e ilusório.
    O perdão é expresso de modo bem gráfico. Quando Deus nos perdoa Ele pega o nosso pecado e leva embora. O fardo que pesava e afundava nossas vidas é removido e jogado longe. Podemos caminhar com os ombros levantados. Que alívio! Oh! Que felicidade!
    Quando Deus nos perdoa Ele cobre o nosso pecado, dando a ideia de que Ele não mais o vê quando trata conosco. As manchas são lavadas de modo completo, não fica nenhuma lembrança delas. Ele nos vê como pessoas puras, e todo fracasso é deixado no passado, sendo esquecido e não mais lançado em nosso rosto. Podemos começar de novo. Que oportunidade! Oh! Que felicidade!
    Quando Deus nos perdoa Ele apaga a nossa conta devedora. Nossa dívida é cancelada. Passamos a ter ficha limpa com Ele. Somos declarados sem culpas pelo Supremo Tribunal do Universo. Já não cabe mais nenhuma apelação contra nós. Estamos livres do medo da condenação. Um novo começo! Oh!Que felicidade!
    Quando Deus nos perdoa Ele nos liberta do estresse de viver enganosamente, iludindo a nós mesmos e aos outros. O auto-engano não existe mais, o pecado foi tratado com honestidade. Não precisamos mais fingir nem nos esconder. Podemos desfrutar de plena comunhão com Ele. Que recepção! Oh! Que felicidade!
    Mas, oh! Que infelicidade quando nós mesmos tentamos esconder o nosso pecado. Que tristeza quando não confessamos nossos erros e fracassos diante de Deus! Nosso físico sofre, os ossos ficam moídos. Não há louvor e palavras alegres, só gemidos. Não há ânimo, nem cores, nem vida, tudo parece um deserto. Não há flores nem frutos, a vida fica seca e desolada. Não há comunhão com Deus, mas Sua mão é um peso em nossas vidas. A pressão aumenta. A vida fica em tempo de explodir. Como uma infecção que lateja e traz dor para toda nossa vida.
    Quando nós cobrimos os nossos pecados, Deus os descobre. Que vergonha! Que infelicidade. Mas quando nós os descobrimos diante de Deus, Ele os cobre. O pus é retirado, a inflamação é tratada. A dor vai embora. A pressão do peito desaparece. Que alegria.  
Só é feliz quem recebe o perdão de Deus. Podemos ouvir com alegria a canção:
Oh! Sê então feliz, feliz.
Cada erro que você cometeu.
Foi pago pela graça de Deus, o Senhor.
Sê então feliz, feliz!

O VALOR DE LER LIVROS

                 A tecnologia acelerou significativamente nossas vidas, criando uma demanda por gratificação instantânea.  Essa mudança, ali...