segunda-feira, 16 de abril de 2012

ESTÁ CONSUMADO


        Terminar um trabalho é algo apreciável. A sensação produzida é agradável, e pode ser de alívio por se livrar de uma responsabilidade, ou de vibração exuberante por causa do resultado alcançado. Aqueles que já tiveram que escrever uma monografia ou um artigo podem testemunhar isso.  Mas raramente concluímos um trabalho com a sensação de realização plena, pois logo percebemos que ele poderia ter ficado melhor, que há erros a serem corrigidos, ou mesmo partes que precisam ser melhoradas.
  Já o Senhor Jesus concluiu Sua obra é bradou “Está terminado” com plena consciência que nada melhor poderia ser feito, que a obra fora perfeitamente cumprida.
      A expressão “Está consumado”, relatada em João 19.28-30, é considerada a sexta palavra da cruz. Jesus já estava na cruz por aproximadamente seis horas.  Após pedir que o Pai perdoasse os que O crucificavam, prometer que o malfeitor arrependido estaria no paraíso, pedir que João cuidasse de Sua mãe, clamar diante do abandono do Pai, e manifestar Sua sede, Ele proclama que a obra fora consumada!
        Na língua original apenas uma palavra é usada para expressar a ideia bradada por Jesus.  É um verbo conjugado numa forma que expressa uma ação completa, e cujos resultados continuam. Conforme estudiosos, o uso desta forma é uma escolha deliberada do autor para indicar o estado presente de uma ação passada. Seria como se Jesus estivesse dizendo: a obra se cumpriu e os resultados perduram. 
           A raiz deste verbo é um substantivo que indica o fim, a conclusão, o término, ou o alvo de alguma coisa.  O verbo pode indicar que algo foi terminado, concluído, completado, cumprido, e que o objetivo foi alcançado. O Novo Testamento usa este verbo para indicar: 
(1) o final de algo, como o dos sermões de Jesus em Mateus 7.28; 11.1; 13.53; 19.1; 26.1; 
(2) um tempo que se completa, como os mil anos de Apocalipse 20.3,5,7; 
(3) o aperfeiçoamento de uma virtude, como o poder em 2º Coríntios 12.9; 
(4) a obediência a um mandamento, Tiago 2.8; 
(5) o pagamento de impostos Romanos 13.6; Mt 17.24;
(6) o cumprimento ou realização de uma profecia Apocalipse 10.7 e 17.17. 
         Alguns destes usos podem ser aplicados a João 19.28-30, mas creio que o contexto indica que o sentido principal aqui é o de cumprimento das Escrituras. 
João enfatiza isso usando duas palavras, a que foi traduzida como “está consumado” (já tratada acima), e outra semelhante que significa “Encher, completar, cumprir”. Esta já havia sido usada com o sentido de cumprir uma profecia na tradução grega do Antigo Testamento (1 Reis 2.27; 8.15,24; 2 Crônicas 36.21,22).
Ao relatar a semana da morte de Jesus, o apóstolo João mostra como Jesus estava cumprindo as profecias.
(1) Em 12.37-43, ele afirma que a rejeição de Jesus já havia sido profetizada, e cita Isaías 53.1 e 6.10. 
(2) Em 13.18, o próprio Jesus afirma que a traição já estava profetizada, e cita o Salmo 41.9. 
(3) Também em 15.25, Jesus diz que o ódio a Ele já estava profetizado, citando os Salmos 35.19 e 69.4. 
(4) Em 17.12, novamente falando a respeito de Judas Iscariotes, Jesus menciona que as Escrituras estavam se cumprindo. Quando pensamos em suas palavras à luz de Atos 1.20, podemos perceber o Salmo 109.8.
(5) João volta a dar sua própria interpretação em 18.9, e agora para mostrar que eram as próprias palavras ditas por Jesus em 17.12, que estavam se cumprindo. 
(6) Outra vez, agora em 18.32, João mostra como a profecia feita pelo próprio Jesus, a respeito do modo da Sua morte, estava se cumprindo. Se os judeus tivessem executado Jesus, a morte seria por apedrejamento, mas o próprio Jesus havia dito que seria levantado (João 3.14; 8.28; 12.32s, compare com Deuteronômio 21.23).
(7) No ato da crucificação, os soldados romanos não rasgaram as vestes de Jesus (19.23,24), e João cita o Salmo 22.18, indicando que isso era cumprimento das Escrituras. Este salmo havia sido escrito mil anos antes da morte de Jesus, e nele são descritos detalhes de uma cena de execução, dos quais muitos se cumpriram em Jesus. 
(8) Em 19.28, é dito que Jesus estava consciente de que tudo já tinha e continuava se cumprindo de acordo com a Escritura. Isto é, Jesus sabia que cada detalhe da Sua morte cumpria as Escrituras. Então Ele deu um passo para um último cumprimento: o da sua sede, que havia sido profetizada nos Salmos 22.15 e 69.21.  
       Para aliviar sua sede os soldados lhe molharam os lábios com soro de vinho. Isto não matou sua sede, mas molhou sua garganta e o habilitou a proclamar o cumprimento das Escrituras quanto à obra redentora. 
(9) E por último, em 19.36,37, João fala do cumprimento do Salmo 34.20 e Zacarias 12.10.
Jesus já havia dito que tudo que fora profetizado em relação a Ele seria cumprido (Lucas 18.31-33; 22.37, citando Is 53.12). E agora Ele confirma isso, com Sua palavra na cruz. Os apóstolos também testemunharam que os acontecimentos da crucificação cumpriam as Escrituras (Atos 13.29).
     A obra consumada significava que as profecias relativas à morte de Cristo foram cumpridas. A morte de Jesus não foi acidental. Mas o cumprimento perfeito do que Deus havia proclamado no Antigo Testamento. Os inimigos de Jesus inconscientemente cooperaram para que o plano de Deus se realizasse, e as Escrituras se cumprissem. Os planos de Deus nunca serão frustrados!
     Com o cumprimento das Escrituras, outros aspectos da obra de Cristo também se completaram. Neste caso, outros sentidos da expressão “está consumado” podem ser aplicados.
     O “está consumado” também foi uma palavra de alívio. Seu sofrimento e angústia terminaram. Mesmo sabendo das profecias quanto à sua morte, Jesus experimentou sofrimento real e antecipado. Ele mesmo afirma que se sentia comprimido, como se estivesse sendo apertado por vários lados, até que sua missão fosse completada (Lucas 12.50). Agora, a obra estava concluída, o sofrimento havia passado. Ele persistiu e resistiu até o final. O nosso sofrimento também terminará um dia. Portanto, olhando para Jesus, não desanimemos (Hebreus 12.3).
      Ao cumprir as Escrituras Jesus completou a obra que o Pai lhe confiara. A expressão usada por Jesus também era pronunciada quando alguém concluía um trabalho. Quando um pintor terminava um quadro ou um autor um livro. Ali na cruz Jesus conclui a maior de todas as obras. Completar a obra do Pai era o supremo propósito de Sua vida (João 4.34), Ele tinha consciência de que Sua missão era fazer a vontade de Deus. Cumprir as obras do Pai era Seu modo de dar testemunho (João 5.36). Completando a missão recebida Ele glorificava o Pai (João 17.4). O propósito da nossa vida é glorificar a Deus. Realizamos isso cumprindo a vontade Dele em nossas vidas, e permanecendo fiel até o fim à missão que Ele nos deu, mesmo que isso envolva sofrimento.
       Quando cumpriu as Escrituras Jesus também pagou nossa dívida. Este era outro uso da expressão “está consumado”. Foram encontrados em papiros, recibos de impostos que apresentam esta expressão significando “pago em sua totalidade”.  Tínhamos uma grande dívida com Deus, os nossos pecados. Não tínhamos condições de pagar. Mas a morte de Jesus na cruz pagou esta dívida em sua totalidade. (Colossenses 2.13,14).  
       Outro uso da expressão era quando o sacerdote examinava um animal para o sacrifício, e não encontrando nenhum defeito nele, dizia: está consumado! Isto é, tudo está perfeito. O animal pode ser ofertado como sacrifício. A morte de Cristo foi uma oferta perfeita pelo pecado, que nunca mais precisaria ser repetida. A obra foi consumada de uma vez, uma única morte, pagando pelos pecados de todos aqueles que Deus iria salvar (Hebreus 1.3; 9.11-14, 22-28).
     Ao dizer “Está consumado”, Jesus estava confirmando Seu amor pelos Seus discípulos. Pois Ele os amou até o fim (João 13.1). Isto significa tanto que amou até que Sua vida fosse entregue cumprindo as profecias, como que amou até que o alvo fosse alcançado: nossas vidas fossem salvas.
    Diante disso vamos crer que o sacrifício de Cristo não foi um acidente. Mas a obra eternamente planejada, e no tempo executada, para salvar o povo de Deus, e habilitar este povo para glorificar a Deus para sempre.
    Vamos crer também que o plano de Deus jamais será frustrado.  Quando as pessoas pensam estar trabalhando contra ele, estão cooperando para sua realização. 
      Creiamos ainda que o nosso sofrimento, por maior que seja, um dia acabará. Portanto não vamos desistir da luta. Vamos perseverar. 
     Vamos concluir a missão de Deus para as nossas vidas, lembrando que nosso propósito aqui é cumprir a vontade Dele. Só assim poderemos dizer: completei a carreira. 
      Vamos nos alegrar, pois nossos pecados estão totalmente pagos, quitados completamente. Não por nada que tenhamos feito. Mas, única e exclusivamente por causa do sacrifício de Jesus na cruz. Estamos perdoados de todos os pecados.
     Vamos louvar a Deus pelo grande amor de Jesus por nós. Ele nos tem amado de modo que o alvo preparado para nossa vida se realizou. Embora isso tenha incluído o Seu sofrimento.    Vamos amar os nossos irmãos assim também. 
     Regozijemo-nos, pois “Está consumado!”.

sábado, 31 de março de 2012

NEM “ESCATOMANIA” NEM “ESCATOFOBIA”

          As duas expressões acima são de um escritor de teologia, e procuram expressar as reações que alguns têm diante da escatologia. O nome “escatologia” é formado por duas palavras gregas: “escatos” que quer dizer “último” e “logia”, que indica estudo ou assunto. Por isso esta palavra designa a parte da teologia que estuda os eventos futuros, os últimos atos de Deus na concretização de Seu projeto redentivo.

          “Escatofobia” é atitude daqueles que têm medo do que Deus nos disse sobre o futuro, e por isso não querem saber nada sobre o assunto. Alguns, inclusive, têm medo de ler e estudar o livro de Apocalipse.  Já “Escatomania” seria a reação daqueles que fazem da escatologia uma mania, entendendo que ela é o principal, senão único, assunto digno de estudo bíblico. 

          Parece-me que é comum as pessoas pensarem que a profecia bíblica trata apenas de eventos futuros. Isto não é verdade. Profecia tem a ver com revelação, e Deus não revelou apenas o futuro. O profeta era o porta-voz de Deus, isto é, aquele que trazia uma mensagem direta de Deus. Este significado da palavra aparece no uso que o próprio Deus fez dela em Êxodo 7.1,2, quando disse que Arão seria o profeta de Moisés, isto é, Arão deveria falar as palavras que Deus havia ordenado a Moisés. Outra evidência é o livro de Apocalipse, que é uma profecia, mas que revela as coisas que aconteceram, que estavam acontecendo e que iriam acontecer (Apocalipse 1.3,19).
           A profecia comunica a Palavra de Deus, revelando Sua interpretação do passado, Seus planos para o futuro, visando ensinar Seu povo como viver no presente. Os profetas do Antigo Testamento condenaram os pecados que o povo estava cometendo. Quando o véu do futuro era levantado, tinha como objetivo desmascarar a hipocrisia e as falsas expectativas do momento. 
         O interesse pela profecia pode ser motivado pelo fascínio de saber o futuro. Isto pode ser movido pela curiosidade e também pelo desejo de autonomia. Acreditamos que, conhecendo o futuro, nós teremos maior controle da nossa vida.  Por isso alguns querem um esquema bem detalhado dos eventos futuros. Mas Deus nos revelou apenas o suficiente para nos preparar para o futuro, e não para satisfazer nossa curiosidade. O futuro foi revelado por causa do presente. Ao mostrar o que vai acontecer amanhã, Deus quer provocar uma resposta hoje. 
         Quais as respostas que Deus espera de Sua igreja diante da profecia da volta do Senhor Jesus Cristo? 
         Quando O Senhor Jesus respondeu a tríplice pergunta dos discípulos em Mateus capítulos 24 e 25 (texto que é denominado de sermão profético), Ele enfatizou duas atitudes: Vigilância e Perseverança. Ele adverte: cuidado que ninguém engane vocês (Mateus 24.4). Então avisa que muitos falsos pregadores surgiriam, que o mundo não iria melhorar, e sim as catástrofes e conflitos aumentariam, haveria perseguições, desvios da fé, e aumento do pecado. Isto causaria o esfriamento no amor de muitos (Mateus 24.5-14). Feliz o servo que se conservar fiel e atuante em todo tempo, mesmo em meio a estes grandes problemas (Mateus 24.46-25.30).
         O apóstolo Paulo, elucidando dúvidas da igreja em Tessalônica, apresenta outra atitude: Conforto (1 Tessaloninces 4.13-18).  Saber que nosso futuro é estar com Jesus para sempre, deve servir de consolo em meio às tristezas da vida. O Senhor Jesus também havia destacado isto no sermão que usou com o propósito de preparar os discípulos para Sua partida (João 14.1-3). O mundo não deve nos assustar, pois Jesus já garantiu nosso futuro. Saber que um dia seremos transformados em pessoas glorificadas deve nos animar e fortalecer (Filipenses 3.20,21).
        Ao concluir um tratado sobre a nossa ressurreição, em 1 Coríntios 15.58, o apóstolo Paulo exortou outra atitude: Operosidade, isto é, disposição para trabalhar produtivamente na obra de Deus. A vida não acaba quando se morre, sendo assim, o que fazemos para Deus não é inútil. Portanto “mãos ao trabalho crentes”.
         Em sua primeira carta o apóstolo João nos mostra mais uma atitude: Pureza. Ele diz que ainda não somos o que devemos ser, mas quando Cristo se manifestar seremos semelhantes a Ele. Todo que tem esta esperança busca a purificação de sua vida (1 João 3.2,3).
         Jesus há de voltar, por isso, vamos ser vigilantes, perseverantes, destemidos, atuantes, e puros. 

domingo, 18 de março de 2012

O CARPINTEIRO


              No dia 19 de Março comemora-se o dia do carpinteiro. É muito comum confundirmos o carpinteiro com o marceneiro, pois ambos trabalham com madeira. Mas, estritamente falando um carpinteiro é um artesão que trabalha com madeira, montando especialmente obras pesadas, como estruturas, vigamentos, tabuados, etc.
             Este  ofício  é muito importante, pois grandes obras de construção civil e naval, não seriam possíveis sem o trabalho do carpinteiro.  No entanto, o que tornou esta arte famosa foi um conhecido carpinteiro. Com certeza, o carpinteiro mais famoso que já existiu: Jesus Cristo.
           Tanto Ele, como José, seu pai adotivo, foram chamados de carpinteiros (Mateus 13.55; Marcos 6.3).  Na linguagem do NT, “carpinteiro” era a palavra usada para indicar um fabricante ou artesão, que poderia trabalhar com madeira, metal e outros materiais (Isaías 44.13-17); e também para indicar alguém que trabalhava em construções. Nos tempos bíblicos, as grandes construções envolviam pedras e madeira. Podemos citar como exemplo o templo construído por Salomão que foi edificado com pedra e forrado com madeira (1 Reis 4-7).
Como Jesus atuava em um ambiente rural, é provável que Ele e seu pai fabricassem   carroças, consertassem arados, entalhassem bacias, colheres ou enxadas, construíssem baús, bancos, camas, levantassem parreirais e galpões, cobrissem e consertassem telhados, etc. Nosso Salvador, gastou a maior parte de sua vida nesta função útil, mas dura.
Jesus cresceu e morou na cidade de Nazaré até por volta de seus 30 anos.  Acreditamos que durante este tempo Ele tenha ajudado José e assim, aprendera o mesmo ofício, e se tornou o carpinteiro daquela pequena cidade, até quando se mudou para Cafarnaum e começou sua obra de anunciar o Reino de Deus. 
         Um dia Ele voltou à Nazaré, e ali ensinou na sinagoga. Seus ouvintes ficaram espantados com Sua sabedoria e com os milagres que operava (Marcos 6.1-3). Apesar das evidências de seu ensino e milagres, não conseguiram crer Nele, porque apenas o conheciam como aquele que havia sido o carpinteiro da sua pequena cidade. Os habitantes de Nazaré não conseguiram entender como o carpinteiro havia se tornado um grande Mestre, e por não conseguirem entender, resolveram não crer.
                Nos primeiros anos da história do Cristianismo, o fato de Jesus ser um carpinteiro também foi motivo de gracejos. Mas este fato nos mostra a humildade de Jesus. Aquele que construiu o Universo, agora fabricava pequenas coisas. Jesus nos ensina que é possível servir a Deus nos trabalhos do dia a dia. Ao servirmos as pessoas com o nosso trabalho, estamos adorando o Criador do mundo e das pessoas.
                Os habitantes de Nazaré creriam se a mensagem maravilhosa tivesse sido pregada por alguém mais nobre, com mais glamour. Mas, já que a mensagem fora pregada por alguém que era igual a eles, não creram. Eles achavam que conheciam Jesus muito bem, afinal Ele havia crescido entre eles, e trabalhado para eles. Apesar de conhecerem Jesus como “o carpinteiro”, não O conheciam como “o Salvador”. 
Sim, o homem que passou a maior parte de sua vida fabricando e consertando objetos e casas, foi o escolhido, enviado e ungido por Deus, para consertar vidas, e construir uma Igreja, um povo, um novo mundo. Foi enviado, de forma humilde, para realizar uma salvação poderosa.
             O que aconteceu em Nazaré ainda acontece hoje. As pessoas desprezam a mensagem por desconsiderarem o mensageiro. Embora muitas vezes até admirem a mensagem, mas o preconceito as impede de acreditar na mesma. Algumas mensagens não prosperam porque a própria mensagem é ruim, mas há mensagens que não são aceitas porque a audiência é ruim.
            Em Nazaré, Jesus só era conhecido como “o carpinteiro”, ninguém ali percebeu que Ele era muito mais que um carpinteiro, a primeira impressão foi a que ficou. Ainda hoje há pessoas que pensam conhecer Jesus muito bem, afinal cresceram numa igreja, ouvindo histórias bíblicas e cantando hinos sobre Jesus. Mas ficaram com a impressão de Jesus apenas como um bom mestre, um profeta, um milagreiro a quem se pode recorrer nas horas de dificuldade. Elas não conseguem ver que Jesus é muito mais do que tudo isso. Ele é o próprio Deus que assumiu a humanidade, para viver numa pequena aldeia, trabalhando para pessoas que depois iriam rejeitá-lo (João 1.1,10,11,14). Ele é o Messias Salvador, que veio morrer numa cruz para pagar pelos pecados dos homens, e libertá-los destes pecados (2 Coríntios 5.21). Ele é Aquele que venceu a morte pela ressurreição, e hoje está à direita de Deus, intercedendo pelos seus (Romanos 8.34). Ele é o Juiz que voltará para concretizar a salvação eterna dos que creram e condenar os que O rejeitaram (Mateus 25.31-46).
Conheça Jesus, o Carpinteiro que pode consertar Sua vida para toda a eternidade.

quarta-feira, 7 de março de 2012

OLHO PIDÃO


A expressão “olho pidão” indica alguém que pede com os olhos. Pode ser o olhar suplicante do mendigo, ou o olhar guloso da criança diante do balcão de doces. Ambos comunicam seus desejos pelos olhos.  É o olhar do personagem Chaves, do seriado do mesmo nome, que mesmo balançando a cabeça indicando que não quer o sanduiche de presunto, os olhos dizem o contrário.
O olhar do peregrino também é um olhar pidão. No salmo 123 ele diz que seus olhos esperam em Deus, e este olhar além de esperar, clama. Junto com o olhar há um pedido por misericórdia. Ele olha para Deus e conta os seus problemas. A causa de seu sofrimento é o desprezo. Ele e os outros adoradores são vistos como insignificantes, sem valor, e sem importância, desdém que é acompanhado de escárnio. E isto irrita e dói em sua alma. 
Por isso ele diz que está saturado e ensopado das zombarias dos arrogantes e soberbos. Daqueles que pensam que podem viver sem Deus, desfrutando do bem bom da vida sem preocupações.  Os arrogantes são descritos em Amós 6.1 e Isaías 32.9,11, como pessoas que não se importam com a iminência do juízo de Deus, e nem se afligem com o pecado cometido. Vivem para vestir-se bem, festejar e divertir-se. A indulgência, luxúria e frivolidade são suas aspirações. 
Os orgulhosos se levantam como ondas do mar. Apoiando-se em seus próprios expedientes e forças, zombam daqueles que humildemente dependem de Deus; que sofrem, e aparentemente não prosperam.
Um exemplo deste desprezo aparece em Neemias 2.19 e 4.1-4. Provocado pela ira e pela inveja, o menosprezo duvida de até onde podemos ir; considera inútil os nossos esforços; e zomba do potencial de nossas realizações. Ele pode se manifestar lançando dúvidas sobre nossas intenções e nos caluniando. Seu alvo é nos desanimar. Este desprezo é pior do que a ira (Mateus 5.22).
Diante deste ataque o salmista dirige seu olhar para o SENHOR, com atitude de servo (humilde, submissa, concentrada, esperançosa), e conta seu problema para Deus.
Igual ao peregrino, também enfrentamos o desprezo dos outros. Talvez por nos considerarem fracos, idiotas, atrasados, retrógrados, por ainda acreditamos em coisas que não fazem sentido no mundo moderno. Somos incompreendidos, por não darmos vazão às nossas paixões, por reprimirmos os nossos desejos. Chamados de bobos, de gente que não sabe aproveitar a vida (1 Pedro 2.11,12,13; 4.2,4).
Qual o desprezo que lhe aflige? A indiferença dos que você ama? O descompromisso de quem deve cuidar de você? A infidelidade de quem deveria ser fiel? A falta de atenção e gratidão das pessoas pelas quais você tem se desgastado? Falsas acusações? Juízos precipitados sobre suas aflições? Depreciação do seu trabalho? Descrença em suas capacidades? Pouco caso de suas ideias? Xingamentos? Pessoas que nem lhe dirigem a palavra? Outros que riem de suas convicções e comportamento? Você está cheio, já não aguenta mais?
O que pretende fazer? Para quem está olhando?
O peregrino nos ensina que na adoração alegre, também há espaço para o desabafo humilde, a súplica sofrida, o clamor confiante. Faça como ele, dirija seu olhar para o Senhor, pedindo misericórdia, conte seu problema, e aguarde com confiança.

  

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O OLHAR QUE ESPERA


O que esse olhar espera? Debruçada no muro, ao lado do portão, olhar concentrado, penso que minha amiga Regina esperava algo. Mas o quê? Como a foto já tem algum tempo, penso que nem ela mesma se lembre. Mas, se ela pudesse recordar para quem ou o quê olhava, ela saberia o que estava esperando. 
Jesus disse que os olhos são a lâmpada do corpo (Mateus 6.22,23). Por eles podem entrar a luz que ilumina nossa vida, ou as trevas que nos deixam na escuridão. 
Nosso olhar pode nos corromper ou fazer nossa vida brilhar.  Em momentos de dificuldades, o lugar ou a pessoa para onde olhamos pode determinar nossa reação. Podemos nos encher de esperança ou de frustração, dependendo de para o quê, ou quem olhamos. O cantor peregrino nos ensina no Salmo 123 que devemos olhar para Deus em nossos momentos de aflição.
A expressão “elevar os olhos” era usada para expressar a atenção de alguém quando precisava fazer uma escolha, como Ló que ergueu os olhos para procurar a melhor parte da terra (Gn 13.10,14). Também para indicar o desejo por alguém, como a mulher do Potifar que pôs os olhos em José (Gn 39.7).
O salmista fala que eleva os olhos para “Aquele que habita nos céus”. Que não é atingido pela revolta dos homens, pois está muito acima deles (Sl 2.4). Também tem seu trono estabelecido no alto, e por isso domina sobre tudo (Sl 103.19). Ele é o que do alto olha e sonda tudo (Sl 11.4). Por estar acima de todos, Ele faz tudo como lhe agrada (Sl 115.3). O que habita nos céus é Supremo e Soberano. É para Ele que o salmista dirige o seu olhar em busca de socorro (Sl 25.15; 141.8). 
O peregrino, estando no templo, eleva os olhos em adoração, expressando tanto sua escolha por Deus ao invés dos ídolos (Ez 18.6,12,15), como seu desejo e esperança de ser socorrido.
O modo como se olha também é importante. O olhar pode ser de revolta, de ódio, de tristeza, ansiedade, etc. Mas o olhar do peregrino é de expectativa concentrada, humilde e confiante. É como olhar da empregada para as mãos da patroa, que não desvia a atenção, aguardando as ordens na forma de gestos, para então se levantar e obedecer. É o olhar da deferência e dependência, da submissão e prontidão.
Mas também é o olhar súplice do servo necessitado, que reconhece não ter mérito, mas que precisa do socorro, e por isso busca a graça e misericórdia de Deus. Ele quer ver um gesto de compaixão, pois se encontra numa situação de necessidade. Esta pode ser causada por vários fatores: a aflição e solidão que surge do ódio dos inimigos (Sl 25.15,16,19); a tribulação que é fruto dos próprios pecados (Sl 31.9); a culpa que precisa de perdão (Sl 51.1); a angústia contínua que causa depressão (Is 33.2); o desânimo que debilita (Sl 6.2); as calamidades que pedem solução (Sl 57.1).
Ele sabe que Deus é Soberano na administração da Sua graça (Ex 33.19), por isso mantêm uma atitude de espera submissa. Com confiança obediente.  Cheio de esperança persistente. Manifestando humildade dependente.
Na espera há uma tensão, mas como servo, ele prefere esperar o alívio com tensão; do que renunciar a Deus, e tornar-se soberbo, buscando em suas ações a solução para seus problemas.
Ao elevar os olhos ele espera misericórdia. Sua atitude não é “Dê-me o que quero”, mas, tem piedade de mim. Não é “recompensa minha bondade para que as pessoas vejam como sou superior”, mas “tem compaixão de mim”; não é “castiga-me pelos meus pecados para que me sinta melhor”, mas, “tem misericórdia de mim”; não é, “seja bom comigo, pois eu tenho feito boas coisas”, mas, “preciso de tua graça, pois sou pecador”.
Para onde você olha quando se encontra em dificuldade? Para os lados, buscando a ajuda de outros homens; para si mesmo, buscando a ajuda interior; para baixo, não buscando ajuda nenhuma e entregando os pontos; para cima, buscando a ajuda dos grandes; ou para o céu, buscando a ajuda de Deus, e esperando pela misericórdia Dele? 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

CULTO: OPORTUNIDADE PARA ORAR


            É incrível como tarefas simples, mas importantes, são negligenciadas. Certos deveres não são complicados, têm muita importância para a vida, e mesmo assim são descuidados. Exemplos: escovar os dentes, lavar as mãos, exercitar-se fisicamente, etc. A mesma atitude é vista na vida com Deus.  Certos compromissos espirituais não são difíceis, são até muito simples de serem executados. Têm extrema importância para a manutenção e desenvolvimento de nossa vida espiritual. Mas são absurdamente negligenciados. Um exemplo: a oração.
                A oração está longe de ser uma tarefa complicada. Para orar não é preciso conhecimento bíblico avançado, nem recursos financeiros, e nem talentos especiais. Qualquer um pode orar: criança, jovem, adulto ou idoso. Pobre ou rico. Culto ou iletrado. Não é necessário um tempo e nem um lugar especial para se praticar a oração. Qualquer hora e em qualquer lugar podemos orar. Mas, quão pouco oramos!
                Embora simples, a oração é de importância incalculável. Ainda que se faça uma leitura superficial das Escrituras, ela nos revela os efeitos que a oração pode produzir em nossas vidas. Apenas para reforçar esta verdade podemos citar: “Muito pode em seus efeitos a súplica do justo” (Tg 5.16b); “e tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis” (Mt 21.22); “Por isso, vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.” (Lc 11.9). Mesmo assim, oramos muito pouco!
                Há momentos que podem relembrar e incentivar a prática da oração. Um deles é o culto coletivo.  O peregrino que ia adorar em Jerusalém sabia da importância da oração e que o culto era uma oportunidade para motivá-la. No salmo 122, após testemunhar sua alegria em adorar com comunhão e aprendizado, ele faz um pedido: “Orai pela paz de Jerusalém, e ele mesmo faz a oração “eu peço: haja paz em ti (Sal 122.6,8).
                A motivação da sua oração era o amor. Amor por Jerusalém. Lá estava a casa do Senhor, onde o povo de Deus se reunia em comunhão e adoração; ali estava o trono do rei ungido que tinha como dever garantir um governo justo; e lá se podia aprender as instruções de Deus. Para manter o louvor, aprendizado e comunhão havia a necessidade da paz e do sucesso de Jerusalém.
                Mas também amor por seus irmãos e amigos. Ele queria o bem estar deles, e isto dependia da tranquilidade e segurança de Jerusalém. Estes dois amores estavam relacionados. Da paz de Jerusalém dependia a paz dos que cultuavam em Jerusalém.  
                A forma da oração era entusiástica. Isto se manifesta quando ele fala de buscar o bem de Jerusalém. A palavra “buscar” significa procurar alguma coisa com entusiasmo e esforço. O que deixa claro como ele valorizava aquela cidade e a adoração a Deus.  Pois só se ora com entusiasmo por aquilo que se valoriza. Também revela que acreditava na oração como uma forma de fazer algo pelo bem de alguém. Para ele, orar era buscar o bem daquele pelo qual se orava.  Nossa falta de oração não seriam sinais de nossa falta de amar e de valorizar o que Deus valoriza? Ou ainda sinal de nossa falta de crença na eficácia da oração?
                A exortação do salmo é válida para nós, pois Deus tem um plano para a Jerusalém terrestre (Lc 21.24). Ela não reconheceu sua oportunidade de paz (Lc 19.41-44). Mas, um dia a adoração a Deus será restaurada nela (Is 2.2-5; Ez 40-44).
                Enquanto oramos pela restauração da Jerusalém terrestre e aguardamos a chegada da Jerusalém celestial (Ap 21.10,11) devemos orar também por nossas igrejas. Somos exortados a isso com ordens diretas das Escrituras: “Orais uns pelos outros” (Tiago 5.16, ver ainda Efésios 6.18-20); e também com exemplos de pessoas que oravam e pediam orações (Rom 1.9,10; 15.30; 2 Co 1.11; Ef 1.6; Col 1.9).
                A Bíblia também nos exorta à prática da oração nos cultos: Mt 18.19,20  Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.
                Uma das razões da oração deve ser paz e tranquilidade para o avanço do evangelho. 1 Tim 2.1,2Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito.” 2 Tes 3.1,2Finalmente, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague e seja glorificada, como também está acontecendo entre vós; e para que sejamos livres dos homens perversos e maus; porque a fé não é de todos.
Eugene Peterson disse que Uma das aflições do trabalho pastoral é a de ouvir sem fazer careta todas as desculpas que as pessoas dão como motivo de não irem à igreja. Para aqueles que tiraram seu foco de Deus há muitos motivos para não adorar na igreja (causados pelos nossos pecados e dos outros). Se você tem estes motivos vá adorar por causa de Deus, com alegria pelo que Ele já fez, faz e vai fazer por você. E também para pedir que Ele aperfeiçoe sua vida e a de seus irmãos.  Vamos banhar nossa adoração com oração. Vamos usar nossos cultos públicos para buscarmos nosso Deus em oração e pedir que Ele abençoe Sua Igreja.


domingo, 22 de janeiro de 2012

ADORAÇÃO: MOMENTO DE APRENDIZADO


            Na época em que o templo de Deus estava construído em Jerusalém, os adoradores sinceros viajam até lá para cultuar. Algumas vezes isso era perigoso, mas mesmo assim, o trajeto era feito com cânticos. Os salmos 120-134 são chamados “de romagem” ou “dos degraus”, por ser uma coletânea de hinos que aqueles adoradores peregrinos entoavam enquanto subiam para a cidade.
            Após cantarem sua oração de angústia e sua confissão de segurança (Salmos 120, 121), eles entoavam um hino de alegria pela oportunidade da adoração (122). O fiel exultava por ter sido convidado ao templo, e por estar em Jerusalém adorando (versos 1,2), e proclamava a oportunidade de comunhão com os irmãos das outras tribos (versos 3,4).  
            No verso 5 ele fala da razão da ida à Jerusalém “Porque lá habitam tronos de justiça, tronos da casa de Davi.”A ida ao culto era uma oportunidade para aprender e praticar a justiça.
            Deus havia escolhido Jerusalém como capital de Seu reino terrestre naquela dispensação, e Davi e seus descendentes como os administradores deste reino. Neste governo a justiça deveria prevalecer (2ª Samuel 8.15; Jeremias 21.12). A cidade era a representação da autoridade de Deus sobre Seu povo em todas as áreas. Lá as disputas judiciais eram resolvidas. O padrão para esta decisão não era a vontade do rei, mas a Lei de Deus. Deus havia ordenado que o rei de Seu povo deveria conhecer a Sua Palavra e administrar o reino conforme estes princípios (Deuteronômio 17.18-20).    
            A prática desta justiça era para se tornar um costume diário abrangendo todos os aspectos da vida. Por isso, a ida ao culto era também um momento de aprendizado (Deut 14.23). Ir à Jerusalém adorar e comungar tinha como alvo o aprendizado do temor do Senhor,  que deveria ser praticado em todos os momentos da vida.
Em certas ocasiões a lei de Deus seria lida pelos sacerdotes e levitas para que todas as pessoas (incluindo as crianças) aprendessem e obedecessem a Deus todos os dias. (Deut. 31.9-13).  Foi isso que aconteceu na época do rei Josias (2ª Reis 23.1-3), e na época de Esdras (Neemias 8.1-12). E nestas duas ocasiões um reavivamento foi produzido. No culto coletivo o povo era lembrado de seu dever de cultuar a Deus pela obediência aos seus mandamentos, quando voltassem para casa.
            Em nossos dias não há um templo igual ao de Jerusalém, mas há um templo formado por pessoas, que é a Igreja de Jesus Cristo (1ª Pedro 2.5-10). Neste templo de gente cultuamos ao nosso Deus e aprendemos a Sua Palavra.
A leitura e ensino da Palavra devem ser praticados no culto. Timóteo é exortado a  ler, exortar e ensinar a Palavra de Deus. Era a exposição da Palavra que alimentaria o povo com os ensinos de Deus ((1 Tim 4.6,11,13).  O apóstolo Paulo exortou que suas cartas fossem lidas nas igrejas (Colossenses 4.16). Quando escreveu a primeira carta aos tessalonicenses ele exigiu em juramento que a carta fosse lida a todos (1 Tessal 5.27). Ele mesmo ensinava nas igrejas (1ª Cor 4.17) e ordenou que o ensino mútuo fosse praticado (Colossenses 3.16).
            A igreja também deve ser um local de administração da justiça (1 Cor 5.1-5; 6.1-11; Mateus 18.15-17). As reuniões para disciplinar e corrigir irmãos da igreja, e mesmo decidir sobre os problemas entre eles, devem ser momentos de adoração, e também de instrução (1ª Tm 5.20).
            Nossos cultos devem ser momentos de ensino e aprendizado. Neles devemos ser alimentados para a prática diária da Palavra de Deus. Mas, muitas vezes nossa prática é de  não nos importamos com a Palavra. 

O VALOR DE LER LIVROS

                 A tecnologia acelerou significativamente nossas vidas, criando uma demanda por gratificação instantânea.  Essa mudança, ali...