sábado, 13 de abril de 2013

O SENHOR É O MEU PASTOR... NÃO TEMEREI


O medo é uma experiência universal, todos já o sentiram em um momento ou outro, e há os que são constantemente dominadas por ele.  Desde a infância tememos o escuro, o desconhecido, os trovões, as tempestades, a altura, etc.
Mas, o que é o medo? É a reação diante de algo que ameaça o que nos valorizamos e desejamos. Ele ocorre quando percebemos que podemos perder algo que julgamos ser importante para nós.  Pode-se experimentar o medo por ameaças à integridade física ou psicológica. Tememos a dor, o desconforto, o perigo, os desastres, os acidentes, a desconsideração, a indiferença, o desprezo, a solidão, o fracasso, a perda da honra, do nome, da posição social, etc. Mas creio ser a morte a causa maior do medo.
                O medo é ineficaz contra muitos dos perigos que tememos. No salmo 23, o salmista deixa claro que passamos pelo vale da sombra da morte mesmo tendo o SENHOR como o nosso pastor. A questão não é se vamos experimentar os perigos que tememos, mas como iremos enfrentá-los. Como passaremos pelo vale da sombra da morte?
As manifestações do medo são variadas: fuga, como Adão fugiu de Deus, Jacó de Labão, e Moisés do Faraó (Gn 3.10;  31.31; Ex 2.14,15); ira que tenta eliminar a causa aparente do medo, como Saul tentando matar Davi (1 Sm 18. 11,12); agitação do coração, como  o rei Acaz diante da ameaça de invasão (Is 7.2); mentira, como Abraão, Sara e Pedro (Gn 12.10-13; 18.15; Mt 26.69-75); tremor, como o povo de Israel (Ex 20.18); etc.
As consequências do medo também são diversas: gritos de desespero (Mt 14.26); vida atormentada (1 Jo 4.18); angústia, aflição, estresse, perturbação e perda do sono (Gn 32.7); desfalecimento, desânimo, paralisia, e falta de coragem para realizar os deveres (Dt 20.3); rebeldia e revolta contra pessoas e contra Deus (Nm 14.1-12); abandono das ordens de Cristo (Mt 14.30); etc.
O medo também pode causar atitudes positivas, como tomar cuidado diante de situações de perigo e, a mais importante, aumentar a confiança e dependência de Deus. Creio que Davi se refere a isso no Salmo 23, as situações ameaçadoras não irão assustá-lo a ponto de desanimá-lo, desorientá-lo ou desesperá-lo, mas aumentarão sua confiança no SENHOR, para que ele vença os desafios. Por isso ele diz que: Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, Salmo 23.4.
                 Davi passou por várias situações de perigos, diante das quais reagiu com coragem. Quando era pastor de ovelhas enfrentou um leão e um urso que haviam tomado ovelhas do rebanho, ele tanto recuperou a ovelha da boca das feras, como as matou. Parece que o perigo lhe dava uma injeção de adrenalina, mas de fato era a confiança no SENHOR que o levava a enfrentar os perigos e dominar seu medo (1 Sm 17.34,35,37).
Uma grande demonstração de falta de medo foi quando enfrentou o gigante Golias no vale de Elá. Todo o povo de Israel ficou dominado pelo medo, mas Davi dominou o medo por causa da certeza de que Deus estava com ele (1 Sm 17.24,36,37,45-47).
Depois disso ele foi injustamente perseguido por Saul, a quem ele havia ajudado, e demonstrou coragem diante dos ataques e armadilhas (1 Sm 18.10,11,17-27; 19.8-10).  Fugindo de Saul, teve que experimentar a saudade dos parentes, a distância de sua terra, a falta de moradia, as necessidades físicas, a recusa de pessoas em ajuda-lo; etc. (1 Sm 22-29).  
                Certa vez, voltando de uma guerra, ele e seus soldados encontraram todo o acampamento devastado e as mulheres e os filhos sequestrados. Foi um momento de grande angústia, Davi ainda teve que lidar com a revolta e amargura de seus homens. Mas ele buscou forças no SENHOR (1 Sm 30.6).
Mesmo depois de rei, Davi ainda teve muitos vales tenebrosos: além de constante guerra contra os inimigos do seu povo, teve problemas em sua casa (um filho estuprando a irmã; um filho assassinando o outro, etc.). A vida de Davi não foi fácil. Não era um tempo de paz aquele! Estamos enganados em pensar que Davi podia dizer o Salmo 23.4 porque teve uma vida sem dificuldades, não, ele pode dizer isto porque tinha experimentado o vale da sombra e da morte.
                Sua confiança em Deus era maior que o medo. Quando os filisteus o pretenderam ele disse: Em me vindo o temor, hei de confiar em ti. [...] neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei. Que me pode fazer o homem?  (Salmo 56.1,3,11).
                Quando seu próprio filho reuniu  um numeroso exército, e veio contra ele, Davi teve que fugir de sua cidade e dormir no deserto. Nessa situação ele afirmou: Deito-me e pego no sono; acordo, porque o SENHOR me sustenta. Não tenho medo de milhares do povo que tomam posição contra mim de todos os lados.(Salmo 3.5,6).
                Em outra situação extrema, de um exército se acampando ao redor dele, a confiança em Deus foi novamente declarada:  O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O SENHOR é a fortaleza da minha vida; a quem temerei? Ainda que um exército se acampe contra mim, não se atemorizará o meu coração; e, se estourar contra mim a guerra, ainda assim terei confiança. Salmo 27.1,3.
                Na boca de Davi o Não temerei não era uma afirmação de arrogância, mas de confiança em Deus. Para vencer o medo é preciso confiar em Deus. Quando a confiança em Deus cresce o medo desaparece. 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

CUIDADO COM O QUE VOCÊ DESEJA!


Há algum tempo li a frase acima num subtítulo de um romance e fiquei pensando no significado. Pela história narrada no livro, acredito que o autor queria comunicar a ideia de que alguns de nossos desejos podem se realizar, e que isso não será nada agradável, por isso devemos tomar cuidado com o que desejamos.  
            Mas há outras razões para tomarmos cuidado com os nossos desejos. Uma delas é que nossos desejos podem ser instrumentos de forças além de nós e trazer consequências desastrosas para nós e para aqueles que nos rodeiam. Esta verdade pode ser ilustrada no capítulo 21 de 1º Crônicas.
O livro de Crônicos foi escrito para animar o povo de Deus que voltara do exílio, e viu que seus motivos de glória haviam enfraquecidos. Sua terra estava pouco habitada, a dinastia davídica estava dominada por outros impérios, o templo reconstruído não tinha o esplendor do antigo e estavam rodeados de inimigos. Mas o autor também queria exortar este povo, mostrando a razão para aquilo estar acontecendo: a desobediência às ordens de Deus; e incentivar um comportamento de obediência, que poderia mudar aquela situação.
Este capítulo introduz a parte do livro que trata dos preparativos feitos pelo rei Davi para a construção do templo. Nele é dito como Davi adquiriu o terreno onde o templo deveria ser construído.
No período narrado, Davi e o reino viviam momentos de glória, crescimento e vitórias. Então apareceu Satanás, que é o inimigo de Deus e de Seu povo. Seu nome significa “adversário”. Ele procura frustrar os planos de Deus tentando pessoas, mesmo aquelas escolhidas por Deus para cumprir uma missão. Ele seduziu e fascinou o rei Davi, e assim o incitou e o instigou a realizar um senso. A ideia da palavra é que Satanás usou de esperteza para enganar Davi e levou-o a fazer o censo.
Satanás fez isso através do desejo de autoglorificação do rei Davi, ou ainda sua inclinação de confiar na quantidade para avaliar sua grandeza e segurança. Davi foi advertido por Joabe, que mostrou que aquele ato traria culpa sobre o povo e era uma atitude abominável (21.3,6). Mas, parece-nos que Davi estava dominado por seu desejo e cego para os perigos que sua realização traria.
Devemos tomar cuidado com os desejos do nosso coração, através deles Satanás pode nos enganar e nos levar a fazer aquilo que desagrada a Deus e prejudica o Seu povo. Nossos desejos podem ser instrumentos de poderes invisíveis que estão além de nosso controle.
Satanás tentou e induziu, mas isso não isentou Davi. Ele foi considerado culpado, e teve que arcar com as consequências de sua escolha. O próprio Davi admitiu sua culpa, e não se aproveitou da tentação como desculpa (21.8). É comum as pessoas fugirem da admissão e da culpa de seus erros, usando a tentação de Satanás e a provocação das pessoas como pretexto, e uma forma de se desculparem. Somos tentados, mas a queda nesta tentação é responsabilidade nossa, a culpa é nossa se cairmos, e as consequências serão nossas e daqueles que estão sob nossa responsabilidade.
Quando ouvimos Satanás e seguimos os desejos errados do nosso coração, nós desagradamos a Deus (21.7).  Ele se entristece e fica desgostoso e pesaroso, especialmente porque sabe que terá que agir para corrigir e disciplinar Seu povo. Nosso pecado afeta mais pessoas do que imaginamos: nós mesmos, aqueles que estão sob nossa responsabilidade e desgosta Deus.
A realização de desejos que são contrários à vontade de Deus é uma loucura. Davi reconheceu isso (21.8). Saul já havia cometido esta loucura:  “Então, disse Samuel a Saul: Procedeste nesciamente em não guardar o mandamento que o SENHOR, teu Deus, te ordenou” (1 Sam 13.13). Depois de Davi, o rei Asa também procedeu assim: “Porque, quanto ao SENHOR, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele; nisto procedeste loucamente” (2 Cr 16.9). Aliar-se a Satanás e se colocar contra os planos de Deus é uma total falta de senso. Pois é ficar ao lado do derrotado, e abandonar Aquele que pode nos fortalecer e dar a vitória.
As consequências de nossa desobediência são desastrosas. Os três modos de disciplina oferecidos a Davi eram pesados: três anos de fome, três meses de perseguição ou três dias de peste. Davi reconhece que todos eram angustiosos (21.11-13).
Quando desobedecemos a Deus, a solução é o arrependimento que confessa admitindo o erro e confia na misericórdia de Deus.  Reconhecendo que merecemos apenas o castigo de Deus (21.8,13,16,17).
O perdão oferecido por Deus deve ser apropriado do modo estabelecido por Ele. O SENHOR ordenou que Davi levantasse um altar no lugar escolhido por Deus (o mesmo local onde o SENHOR ordenara que Abrãao oferecesse Isaque e providenciou um substituto, 2 Cr 3.1). Davi recusa receber o terreno de modo gratuito, pois sabe que há um preço a ser pago, e o compra pelo equivalente a sete quilos e duzentos gramas de ouro. Deus aceita o sacrifício oferecido conforme as ordens Dele, e manifesta isso com fogo, da mesma maneira que havia enviado fogo na inauguração do tabernáculo (Lev 9.24) e que faria quando o templo fosse inaugurado naquele local (2 Cr 7.1).  Com esta expiação houve perdão e o castigo cessou.
Hoje o modo da expiação pelos nossos pecados é o sacrifício já realizado por Jesus Cristo. Esta foi a maneira proposta pelo próprio Deus para propiciação dos nossos pecados (Rom 3.24,25). Da mesma maneira que não haveria perdão e cessação do castigo se Davi não tivesse buscado o perdão da maneira ordenada por Deus, hoje não há perdão e salvação se não for pela fé no sacrifício realizado por Jesus Cristo (Atos 4.12).
A resposta de Deus com fogo mostrou a Davi que aquele era o local escolhido para ser o templo de Deus, o lugar da adoração. Séculos depois Deus enviou seu Filho, que foi o templo de Deus entre nós (João 1.14; 2.21). Hoje este templo é o povo de Deus, verdade manifestada quando do envio do Espírito Santo (1 Cor 3.16).
É preciso dizer que nossos desejos podem ser usados por poderes que estão além de nós e não são controlados por nós, mas que não estão além nem fora do controle de Deus. Satanás é um inimigo, mas não um rival de Deus. Ele está debaixo do controle de Deus, o capítulo demonstra que Deus usou a suposta esperteza de Satanás e a fraqueza de Davi para que o local do futuro templo fosse descoberto e adquirido. Na tentativa de frustrar os planos de Deus, Satanás ajuda a Deus a realizar este plano. Este resultado positivo não o isenta, pois sua intenção era a de prejudicar e não a de ajudar. A ajuda não veio porque ele assim desejou, mas por causa da soberania de Deus sobre todas as pessoas e situações, até sobre aqueles e aquelas que tentam prejudicar Seus propósitos.
Estando Deus está no controle de tudo, vamos submeter nossos desejos à vontade Dele. Assim, evitaremos que estes desejos sejam usados por forças além de nós, desagradem a Deus e tragam resultados desastrosos para nós e para aqueles que nos rodeiam. 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O PASTOR DO SALMO 23

Se você já leu com atenção o Antigo Testamento, deve ter percebido que às vezes o nome SENHOR, aparece com todas as letras maiúsculas, e outras apenas com o S maiúsculo, e as demais letras minúsculas (isso ocorre nas versões tradicionais da Bíblia). Já se perguntou por que é assim?
Grafar a palavra SENHOR com todas as letras maiúsculas foi a maneira que nossas versões escolheram para traduzir o nome pessoal de Deus.
A palavra “Deus”, como aparece na Bíblia, não é um nome, mas um título, que com o passar do tempo foi usada como um nome. Este processo acontece em várias línguas. Na língua portuguesa poderíamos exemplificar com o termo “professor”, que designa a função de quem ensina. Com o tempo passou a ser usada como um título. A pessoa que ensina geralmente é conhecida como “professor Fulano de Tal”. Em alguns casos a palavra é usada como um nome identificando uma pessoa, exemplo: “fale com o professor”. E ainda há casos, em que o nome mesmo da pessoa é esquecido e ela é apenas conhecida como “professor”.
O mesmo ocorre com a palavra “pastor”, que designa uma função, mas é usada como um título, e em alguns casos confundida com um nome. Talvez, se você chegasse à igreja onde sirvo, apontasse para mim, e perguntasse: “qual o nome daquele homem?”, alguém respondesse: “Pastor Almir”.  É como se “pastor” fizesse parte do meu nome.
Isso também ocorreu com a palavra “Deus”, era um título, designando um ser divino.  Mas os deuses tinham nomes. E no caso do Deus das Escrituras Seu nome era grafado com quatro consoantes, mas sem vogais, semelhantes a estas que aparecem no quadro ao lado. Havia a forma reduzida “Yah ou “Jah”, que aparece na palavra Aleluia, e nos nomes Josué e Elias.
Acredita-se que no início da história do povo de Israel todos conheciam a pronúncia. Mas a partir de certa época, o nome não era mais pronunciado, quando queriam se referir a Ele, os israelitas usavam outros nomes, tai como Adonai, El, etc. Assim a pronúncia ficou esquecida.
Em séculos mais recentes admitiu-se a pronúncia “Jeová” (as consoantes do nome com as vogais de Adonai). Hoje acredita-se que a pronúncia mais de acordo com os tempos bíblicos seja “Javé”, “Iavé” ou “Iaoé”. Sempre que aparecer no Antigo Testamento o termo SENHOR, com todas as letras maiúsculas, saiba que está se referindo ao nome pessoal de Deus.
No salmo 23, este nome aparece duas vezes: no início e no final. De fato é a primeira palavra do Salmo.  Ela identifica o pastor do salmo.
“O SENHOR é o meu pastor!” Mas você conhece o seu Pastor?
Nos tempos bíblicos, os nomes eram mais que modos de distinguir e identificar as pessoas, também marcavam o que a pessoa era, ou havia sido, ou mesmo o que seria. Eles tinham significado, descreviam as pessoas e expressavam a sua essência (caráter, função, posição, aspecto físico, evento marcante da vida, etc.).
Alguns exemplos: “Abrão”, que significa “pai exaltado”, foi mudado para “Abraão”, que significa “pai de muitas nações”, por causa da missão que Deus lhe deu (Gn 17.5). Isaque significa riso, referindo ao fato que foi motivo de riso (Gn 21.5,6). Nabal significa “Insensato”, pois era isso que este homem era (1 Sm 25.25). E assim por diante.
Em nossa sociedade isto pode acontecer com alguém. A função ou mesmo um traço do caráter pode designar alguém. Pode-se nomear as pessoas como Fulano mecânico, Beltrano professor, ou ainda Sicrano Valentão. 
E o nome SENHOR, significa o quê?
            Em primeiro lugar este nome indica que Deus é uma Pessoa e não uma força abstrata. Ele é um ser pessoal. Na língua hebraica a origem do nome é o verbo “ser”. Seu significado é destacado na revelação que Deus faz a Moisés em Êxodo 3.12-16. O nome já era usado, mas o significado redentor só é revelado a Moisés. Ele era o Deus que estivera com os pais daquela nação, agora estava com Moisés e visitava o povo no Egito, e ainda seria lembrado assim, de geração em geração. É como se Deus dissesse a Moisés “Eu estou presente é o que Sou”. Ele é uma presença fiel, um Deus sempre presente (Jo 8.58).  
Este é o nome de uma pessoa que trata com outras pessoas. O nome expressa a proximidade e o cuidado de Deus para com Seu povo. Manifesta que Ele é o Deus que se revela de forma salvadora (Ex 3.16-20).  Ele fala, ouve, vê, cheira, busca, entristece-se, julga, manifesta sua graça e age (Gn 4.6,9,13,16; 8.21).  Também as pessoas podem se comunicar com Ele (Gn 4.26). Por isso é chamado de o Deus de Sem, de Abraão, de Isaque, e de Jacó (Gn 9.26; Ex 3.15).
            É o Deus Criador de todos e de cada homem (Ex.4.11). Também é o Deus Todo-Poderoso (Gn 17.1); o Deus Altíssimo (Gn 14.22); o Deus Eterno (Gn 21.33); o Deus que providencia a salvação (Gn 22.14); O Deus dos Exércitos, o Senhor da Guerra (Ex 15.3; Oséias 12.5); o Deus que sara (Ex 15.26); o Deus Zeloso e Santo (Ex 20.2; 31.13; 34.14; Lv 11.44s); o Primeiro e o Último, Senhor da História e único Salvador (Is 41.4; 43.10; 44.6; 48.12-13; 49.6,26).
            Ele mesmo se chamou de SENHOR pela primeira vez em Gênesis 15.7, quando afirmou que havia tirado Abraão de Ur dos Caldeus para lhe dar aquela terra, mostrando Sua Soberania sobre os homens e sobre a terra. Ele se definiu e foi definido em títulos; ações que empreende (Criação, redenção, revelação); deu-se a conhecer por Seus atos poderosos. Ele escolheu um povo, e fez aliança com esse povo, para abençoar todas as nações.
Ele é o Único Deus, o único soberano sobre a vida e a morte           , nada nem ninguém é superior a Ele: Vede, agora, que Eu Sou, Eu somente, e mais nenhum deus além de mim; eu mato e eu faço viver; eu firo e eu saro; e não há quem possa livrar alguém da minha mão.” (Deut 32.39)
            O Pastor do Salmo 23 é um Ser Pessoal, Eterno, Todo-Poderoso, Soberano e que se relaciona de modo pessoal com Suas ovelhas. 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

QUEM NÃO SE ARRISCA...


Quem não se arrisca não petisca. Este é um ditado que escuto há muito tempo. Não sei em que contexto ele surgiu, mas creio que a mensagem que ele quer transmitir é que aquelas pessoas que não estão dispostas a arriscar, nunca desfrutarão de uma vitória genuinamente sua.
Lembrei-me deste ditado ao ler o livro O Silêncio de Adão. Nele conheci a história de Alberto Andrews. Como todo garoto norte-americano, assim imagino, Alberto foi iniciado no beisebol. Nas primeiras vezes que jogou como rebatedor (o que fica com o taco tentando acertar a bola) ele foi eliminado durante vários jogos por não conseguir acertar a bola. O esporte deixou de ser prazeroso para ser embaraçoso.
Mas naquela temporada ele fez uma descoberta que iria moldar sua vida. Percebeu que vários outros jogadores também não conseguiam rebater, mas não eram eliminados, e ainda conseguiam avançar algumas bases. Isto acontecia porque eles não arriscavam a tacada, ficavam com o taco em cima do ombro, esperando o arremessador errar para então fazerem progresso. Alberto passou o resto da temporada sem dar nenhuma tacada, algumas vezes foi eliminado, mas quando o arremessador errava mais do que ele, ele conseguia avançar. E se depois dele vinha um bom rebatedor no seu time, ele até conseguia ganhar o jogo. Seria como um jogador de futebol que nunca se apresenta para receber a bola. Nunca errará um passe ou um chute. Seu time poderá até ganhar, se o adversário errar mais, ou se seus companheiros jogarem por ele.
Alberto transferiu este modo de proceder para a vida. Ele passou a não tomar decisões com medo de fracassar. O sucesso que conseguiu ou foi resultado dos erros dos outros, ou porque fazia parte de uma equipe onde outro tomava as decisões e acertava, mas não por conta de atitudes dele.
Pude ver nesta história alguns retalhos de minha vida. Lembro-me de alguns jogos de futebol que participei, como eles eram difíceis, eu preferia não me apresentar para receber a bola, era omisso em campo, quanto menos pegasse na bola, menos erraria. O pior é que em certas situações difíceis da vida agi do mesmo jeito. Percebia que minha ação faria diferença, mas decidia me omitir. Não arriscava com medo de errar, demonstrar incompetência e sofrer a vergonha que é resultante dela. Preferi que outros decidissem, pois se errassem a culpa seria deles e se acertassem eu também sairia ganhando.
Noto que este é o jeito que muitas pessoas escolheram para viver. Jamais querem se expor, nunca se arriscam. Deixam sempre as decisões para os outros, não expressam suas opiniões em momentos que uma grande decisão precisa ser tomada. São maridos que se omitem, deixando todas as decisões para esposas e filhos, são esposas que não participam e deixam os maridos carregarem o fardo, das decisões, sozinhos.  São pessoas que não abrem um negócio com medo da falência, que não entram num curso com medo de não aprenderem, que não fazem um concurso com medo de serem reprovados, que não se envolvem em relacionamentos com medo de se decepcionarem, enfim, pessoas que não assumem responsabilidades com medo do fracasso.  Pessoas que preferem a segurança de avançar em cima do erro dos que estão do outro lado, ou do acerto de quem está do seu lado, mas jamais por causa de si mesmas.
Muitas vezes o sucesso também amedronta alguns. Se tomarem a iniciativa e acertarem, serão aplaudidos, e isto é bom. Mas, a vitória tem seu preço: a expectativa sobre eles aumenta, espera-se mais de quem acerta. Da próxima vez, as outras pessoas vão ficar esperando que novamente aquele que decidiu o jogo tome a iniciativa e vença novamente.  O sucesso cria uma pressão ainda maior sobre nós.  Ninguém espera muito de um time que está perdendo, mas se um time sempre ganha, todos cobram mais dele. Esta pressão das expectativas assusta algumas pessoas. Eles preferem serem neutras na vida e que ninguém espere nada delas. Para elas, a dor da indiferença é menor do que a dor da pressão das expectativas. Preferem depender dos acidentes da vida para avançar, e se não avançarem a dor será menor, já que ninguém esperava muita coisa delas. 
O interessante é que as pessoas que agem assim têm a tendência de criticarem os outros quando eles resolvem agir e são derrotados. Depois da decisão tomada, e não bem sucedida, elas logo abrem a boca para dizer como é que deveria ter sido feito isto ou aquilo. Antes se omitiram, mas agora são doutoras no assunto.
Estas pessoas nunca experimentam a alegria de ter uma vitória genuinamente sua. De terem avançado, não por uma casualidade do erro de alguém ou acerto de outro, mas porque elas mesmas arriscaram e conseguiram. Além disso, elas passam na vida sem fazer diferença. Elas pensam que se não ajudam, também não atrapalham. Mas, elas atrapalham sim. Porque há outro mal que estas pessoas causam. Sua omissão é uma forma de atrapalhar.
Talvez a maioria delas nem perceba. Mas elas infligem dor em outras pessoas quando se omitem. Elas aumentam o fardo daqueles que tem que tomar as decisões por elas, ou sem a ajuda delas. Quantos casamentos são vazios porque não há participação! Não são parcerias, antes, é um que se joga nas costas do outro, ficando na espera. Quantas mulheres são frustradas porque seus maridos deixam todas as decisões para elas! Quantos homens estão estressados porque sentem as expectativas de suas esposas, mas elas apenas olham e nunca se arriscam a ajudar! Quantos filhos desorientados porque seus pais se omitiram de lhe mostrar um caminho na vida!
Quando posso mudar uma situação com uma decisão de minha parte e me omito, quando fujo de uma responsabilidade que é minha, quando me escondo de ajudar quem está na liderança e precisa ouvir minha opinião, quando fico apenas na arquibancada, esperando que outros façam e conquistem a vitória para mim, quando não me apresento no jogo para receber a bola, eu aumento o peso nos ombros de outras pessoas, e assim eu atrapalho.
     Pecamos quando nos omitimos. É isso que é dito em Tiago 4.17: "Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando." Fazer o que é errado é pecado, e deixar de fazer o que é certo também. 
Que tipo de jogador nós somos na vida? Que tipo de cônjuge você é? Participa ou se omite? Que tipo de pai ou mãe você é? Mostra a direção ou deixa tudo por conta dos filhos? Que tipo de membro você tem sido na igreja? É participativo, ou apenas espera que os outros façam? 
Que tal participar do jogo? Pode ser mais doloroso, mas é bem mais gratificante!
Pense nisso para 2013.

sábado, 5 de janeiro de 2013

O SALMO 23

Há alguns anos uma campanha publicitária lançou um produto anunciando que ele tinha mil e uma utilidades. Foi apenas uma estratégia de marketing para apresentar que o produto poderia prestar vários serviços e que não tinha apenas uma função. Há certas coisas que têm muitas utilidades. Não sei se chegam a 1001.
Na Bíblia há certos textos que se aplicam a determinada situação, mas não a outras.  Alguns expressam alegria, outros tristeza, uns nos servem quando estamos com medo, outros para os momentos de vitória. Mas há alguns que cobrem uma gama maior de situações da vida. E creio que alguns podem cobrir todas as situações da vida. Um destes é o salmo 23.
Ele pode trazer conforto ao sem forças; alegria ao entristecido; ânimo ao desencorajado; louvor ao alegre; esperança ao desanimado.  Tanto lábios chorosos e compungidos; quando bocas abertas em sorrisos; e tanto olhares entristecidos pelas perdas, quanto olhos brilhantes de conquistas podem declarar: O Senhor é o meu Pastor e nada me faltará.
Pode servir de lenço para rostos molhados de lágrimas; de bandeira para uma causa; de poltrona na qual se descansa após um dia de trabalho; de um escudo que se toma para espantar o medo; ou de um travesseiro no qual se deposita a cabeça cheia de confiança no cuidado de Deus.
É um dos textos bíblicos mais graciosos e amados. Tem um apelo universal. Expressa confiança e confidência, pois fala de Deus de uma maneira muito pessoal.  Ele é familiar tanto no sentido de que é bem conhecido; como no sentido de que nos dá a sensação de estarmos em casa.
Ele é um salmo, mas o que é um salmo? Um salmo era um cântico sempre usado no louvor a Deus. Era uma maneira de manifestar alegria, gratidão, estima e reconhecimento da glória de Deus. Um salmo poderia ser entoado apenas com a voz, ou também ser acompanhado de instrumentos musicais.  Os salmos são orações, confissões, louvores e ensinos. Mas sempre cantados a Deus.
Com os salmos nós temos a oportunidade de falar com Deus sobre nossos pensamentos e sentimentos usando uma linguagem inspirada. Nos salmos podemos expressar: temores, dúvidas, confiança, tristezas, alegrias e esperanças.
O salmo 23 também é uma poesia, que é um estilo literário que nos ajuda a expressar ideias e sentimentos numa linguagem figurada, cheia de imagens, numa maneira evocativa.  A poesia pode tornar algo presente em nossa vida pelo exercício da memória e/ou da imaginação. Ela nos ajuda a provocar e evocar o sentimento, a sentir o que deveria ser sentido. Manifesta nossas emoções de modo intenso, bonito e imaginativo. O poeta é um pintor que com palavras pinta mensagens em nossas mentes.  A poesia ajuda-nos a expressar com arte e beleza nossas afeições para com Deus.
A poesia também tem a vantagem de expressar verdades profundas em poucas palavras. Apenas uma frase de uma boa poesia pode dar origem a muito pensar. A profundidade é expressa de modo bonito e breve. Cada frase do Salmo 23 tem esta característica. Há profundas verdades em cada uma delas. E as verdades são pintadas em cenas marcantes em nossas mentes.
O salmo 23 é um cântico em forma de poesia que faz uma confissão de confiança em Deus. O salmista canta sua confiança no cuidado de Deus. Ele se sente seguro e confiado, pois o SENHOR é o seu pastor.
Ele declara a hospitalidade de Deus. Expressa como se sente recebido por Deus, como um hóspede ilustre e amado. Ele canta o amor de Deus para com ele. Ele proclama as certezas que têm no relacionamento com Deus. Ele confessa suas esperanças e expectativas. Ele testemunha como Deus tem cuidado dele.
Recitar este salmo é confessar nossa admiração por Deus, é exercer fé no cuidado de Deus, e expressar segurança mesmo nas situações ameaçadoras, é declarar nosso amor pelo SENHOR, e cantar nossa esperança na comunhão eterna com Ele.
Leia, medite, internalize, e declare as verdades do Salmo 23. Não se deixe levar por suas sensações, mas deixe que os sentimentos dos salmos moldem você.






terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Que certezas podemos ter para 2013?

O que nos espera em 2013?
Não posso afirmar muita coisa, mas quero repartir algumas certezas que me foram apresentadas, e que devem nos acompanhar durante este ano que se inicia.

1)Teremos sofrimentos, veja as palavras de Jesus "Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo." João 16.33

2) Mas, os sofrimentos de agora  nem se comparam as glórias do futuro. Olhe o que o apótolo Paulo disse: "Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós." Romanos 8.18

3) Nem tudo que ocorrerá em nossa vida é confortável, mas cooperará para que aquilo para o que fomos criados se concretize em nossa vida: a imagem de Cristo em nós. "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos."  Romanos 8.28,29

4) Poderemos ter muitas perdas, mas o que é de maior valor não perderemos. "Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor." Romanos 8.38,39

5) Pode ser que em algum dia de 2013 o sol não se levante para brilhar em nossas vidas, mas
"As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade." Lamentações 3.22,23

Portanto, com fé, poderemos ter um  Feliz 2013!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

UMA ILUSTRAÇÃO DA INTERAÇÃO ENTRE A SOBERANIA DE DEUS E A AÇÃO HUMANA.


Atos 27:9-28.10 é um texto intrigante. Além de outras lições, penso que podemos aprender algo sobre o relacionamento entre a soberania de Deus e a decisão humana.Faz parte da narrativa onde Lucas relata a viagem que fez acompanhando Paulo à Roma. 
            Neste ponto da viagem, eles já haviam ultrapassado metade do mês de setembro, e os romanos consideravam a viagem marítima depois de 15 de setembro muito duvidosa. Por isso Paulo aconselhou que o correto era passar o inverno onde estavam, pois continuar naquele momento traria grande prejuízo para todos.
            No entanto o chefe militar, que era o encarregado dos presos, prefere acreditar nos técnicos (piloto e o mestre do navio). A maioria também considerava o lugar onde estava inconveniente para passarem o inverno, e preferia um outro porto. Além disso, as aparências eram de que o vento sopraria tranquilo até que o navio chegasse ao lugar que consideravam apropriado. 
            Mas, em pouco tempo tudo mudou! Um tufão arrastou com violência o navio. A carga deve que ser lançada no mar. Depois se desfizeram também da armação do navio. Muitos dias no escuro, sem sol nem estrelas, e mais tempestade batendo no navio, a esperança e o apetite também foram embora.
            Paulo sofria sem culpa. Ele havia advertido do perigo, mas a maioria decidiu continuar a viagem. Algumas vezes o nosso sofrimento é resultado da escolha de outros. Avisamos e alertamos, mas os que nos acompanham teimam em prosseguir no que vai dar errado, e nem sempre conseguimos ou podemos abandonar o barco! Então, a tempestade se abate sobre nós também, e sofremos o prejuízo junto com outros. Nestas horas devemos lembrar: há um Deus no controle, Ele cuida de nós. Nossas vidas estão em Suas sábias e amorosas mãos.
            Mas Paulo tinha uma palavra para seus companheiros de tormenta. A tempestade poderia ter sido evitada. Mas agora, é hora de animar-se.
            Deus havia prometido que nenhuma vida se perderia, todos do navio seriam salvos. Mas eles precisavam se animar e se alimentar. Este alimento seria para a salvação deles. Deus fizera uma promessa contundente: nenhum fio de cabelo deles se perderia. Mas eles tinham que se alimentar. Paulo dá o exemplo, agradecendo a Deus e se alimentando. Este ato animou a todos.
            Quando o navio estava a ponto de espatifar-se nas rochas, os soldados aconselharam matar os prisioneiros, mas o centurião fez uma intervenção. O plano de Deus estava se cumprindo.
            Todos tiveram que se lançar ao mar, para salvar suas vidas.  Uns nadaram, outros se agarram em tábuas e flutuaram até à praia. Mas, todos se salvaram.
            Deus prometeu salvamento para todos os que estavam no navio. E providenciou os meios para isso. Usou Paulo para anunciar este salvamento e desafiá-los a se alimentarem para poder sobreviver. Usou o centurião para poupar a vida quando os soldados queriam matar todos os presos. Usou as tábuas para salvar a todos. Usou as forças dos viajantes para nadarem até à praia.
            Um claro exemplo de que Deus dispõe os fins e providencia os meios, mas cada um deve fazer uso destes meios, para que o fim planejado se concretize.
O desastre contribuiu para que o povo de Malta visse e ouvisse o poder do evangelho. Deus usou a desobediência da tripulação do navio, a tempestade, o prejuízo, o sofrimento e testemunho de Paulo, para que a Sua glória através do evangelho chegasse a outras pessoas.
            Soberania divina, e ação humana! Plano divino, e reação do homem. No final tudo coopera para que a Sua vontade se cumpra!
            Se o centurião tivesse escutado Paulo, o navio não enfrentaria esta tempestade e não sofreria o prejuízo, mas também, Paulo não chegaria a Malta para testemunhar. Podemos perguntar intrigados: e aí, como ficaria o plano de Deus?
            Não tenho resposta para esta pergunta. Mas, podemos aprender da atitude de Paulo: tentar evitar o máximo o desastre, sempre procurar e aconselhar a melhor opção, isto é, fazer a nossa parte o melhor que podemos. E mesmo quando isso não for suficiente para evitar o sofrimento e prejuízo, continuar confiando em Deus, sabendo que Ele sempre faz o melhor, e que, no final, tudo cooperará para Sua glória, que é o nosso alvo supremo!
            O Supremo Deus não erra e faz todos os acontecimentos cooperarem para o bem: nosso aperfeiçoamento e a Sua glória!
            

O VALOR DE LER LIVROS

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