terça-feira, 25 de setembro de 2007

O HINÁRIO DOS ROMEIROS


“Romeiro e romaria” são palavras muito conhecidas por nós. Elas começaram a ser usadas referindo-se aos peregrinos que iam a Roma ver o papa, por isto romeiros e romarias. Aqui em Juazeiro do Norte, elas descrevem os devotos que vêem venerar os feitos do Padre Cícero Romão Batista. Apesar de haver romeiro o ano inteiro, a cidade os recebe em maior número na época das cinco grandes romarias oficiais: fevereiro (Senhora das Candeias); março e julho, quando celebram o nascimento e morte do Padre Cícero Romão Batista; setembro, a da Senhora das Dores; e a de finados em novembro.
         Neste aspecto a cidade se parece um pouco com a Jerusalém da época do Antigo Testamento e início do Novo. O templo de Deus estava lá, então, a cidade recebia adoradores de toda parte do país de Israel e de vários lugares do mundo após o exílio. Estas visitas ocorriam durante o ano inteiro, mas em maior número em três épocas do ano, quando as estradas para  Jerusalém se enchiam de peregrinos que iam adorar. Normalmente iam com suas famílias, como Elcana e Ana (1 Sm 1.1), e José, Maria e Jesus (Lc 2.41s).
Deus havia ordenado que o seu povo se reunisse três vezes no ano para celebrar suas bênçãos, em três festas (Ex 23.14-17; Dt 16.16s). A páscoa, que comemorava a libertação do Egito, que seria no início do nosso mês de abril, quando começava a colheita da cevada. A do Pentecostes, também conhecida como “Primícias”, “Semanas” ou “Colheitas”, que festejava a chegada dos primeiros frutos, 50 dias após a Páscoa, no período da colheita do trigo. E a festa das Cabanas ou Tabernáculos, que relembrava o tempo que o povo havia passado no deserto, na primeira quinzena de outubro, no fim da colheita dos frutos e uvas.
Durante o trajeto, além de caminhar e conversar com os companheiros de viagem, os peregrinos cantavam. Especialmente quando estavam na subida para Jerusalém, que é uma cidade que fica no alto (800 mts. de altitude), portanto,vindo de qualquer lugar ou direção, é preciso subir.
Numa determinada época estes cânticos foram compilados e formaram um hinário que existe até hoje. Este hinário é conhecido por vários nomes: “Cântico dos degraus”; “cânticos de romagem”, “cânticos da subida”, ou “cânticos dos peregrinos”. Ele se encontra no livro dos salmos. Foram chamados de “cânticos dos degraus” ou “da subida”, porque eram usados nas procissões festivas dos peregrinos que nos tempos das festas subiam para Jerusalém ou porque os sacerdotes cantavam quando subiam as escadarias do templo.
           Todos os salmos são poesias cantadas que eram entoadas nos cultos do povo de Israel. O livro de Salmo é o único hinário inspirado por Deus, o único livro de cânticos que foi composto pelo Espírito Santo. O Novo Testamento ensina que era o Espírito Santo quem falava através dos autores (At 1.16; 4.25).
        Estas poesias são orações, ações de graças e instruções. Havia várias coletâneas de salmos: as orações de Davi (72.20); dos Coraítas (filhos de Coré); de Asafe; os de Aleluia; e outras . Que foram reunidas formando cinco livros (1-41; 42-72; 73-89; 90-106; 107-150). A coleção composta de 15 salmos, (120-134) formava o hinário dos peregrinos. Estes cânticos assumem a forma de louvor ou petição.
         Com estas canções os israelitas testemunhavam sua fé em Deus. O primeiro salmo desta coleção é uma oração que evoca uma pessoa distante, já o último é um convite para louvar no santuário de Deus. 
           Estudar estes salmos pode  nos ajudar em nossa caminhada rumo ao céu. Cada dia de nossas vidas é um caminhar, pois nós também somos peregrinos (1 Pd 2.11), a caminho da Jerusalém celestial. Enquanto caminhamos, vamos aprender a cantar e a testemunhar nossa fé em Deus.

Um comentário:

Anônimo disse...

Denilson disse,
Pr Almir,
Algo me chamou a atenção neste post: "O livro de Salmo é o único hinário inspirado por Deus. É o único livro de cânticos que foi composto pelo Espírito Santo."
Esta sua afirmação é extremamente pertinente, pois esclarece, para alguns, que o nosso querido não Cantor Cristão não têm status de inerrância e infalibilidade, atribuições estas conferidas exclusivamente às escrituras.
Não estou criticando nosso hinário, tendo em vista que praticamente aprendi a ser músico através dele, mas nosso cantor cristão não deve ser colocado em uma posição que não lhe cabe.

Denilson de Andrade
Igreja Batista Regular do Mucuripe