quinta-feira, 27 de setembro de 2007

A ORAÇÃO E NÃO A AÇÃO, FOI A CAUSA DA VITÓRIA

          As nossas vitórias dependem muito mais de nossas orações do que de nossas ações.
        Apesar disso, é comum termos grandes dificuldades em nos dedicarmos à oração. Como escreveu o autor do livro "Ocupado demais para deixar de orar", a auto confiança e a auto suficiência desde que nascemos  são inculcadas em nós como virtudes e podem ser apontadas como algumas das razões para nossa resistência à oração. A oração vai contra estes valores que estão arraigados em nós.  A oração "É um atentado à autonomia humana, uma ofensa à independência do viver. Para as pessoas que vivem apressadas, determinadas a vencer por si mesmas, orar é uma interrupção desagradável" (Bill Hybels).
         No entanto,  é a oração e não nossa ação que conquista as vitórias permanentes em nossa vida. Esta verdade é exemplificada em Êxodo 17.8-13, que narra a ocasião quando Israel enfrentou sua primeira guerra depois que saiu do Egito.
          Moisés ordenou que Josué escolhesse alguns homens e fosse guerrear contra os amalequitas. É interessante que Moisés não foi para a guerra, ele mandou Josué. O que ele estaria fazendo enquanto Josué liderava a guerra? Ele disse que estaria de pé, firme, no cume do monte. Esta expressão também era usada para indicar alguém que se apresentava diante de uma autoridade (Ex. 34.2).
          Moisés  se apresentaria diante de quem? Ele  afirmou que estaria com o bordão de Deus em sua mão, o cajado que usara como pastor guiando o rebanho de seu sogro e que depois Deus escolhera como instrumento para operar os sinais no Egito (Ex. 4.17).
          Josué havia visto todos os sinais maravilhosos que Deus realizara no Egito quando Moisés, a mando de Deus, usava aquele bordão. Presenciara o momento quando o cajado foi levantado diante do mar Vermelho e este se abriu. Vira como água saiu da pedra, ali mesmo em Refidim, quando Moisés, obedecendo a Deus, feriu a rocha com o mesmo bordão. Portanto, Josué entendeu que Moisés estaria cumprindo uma função tremendamente importante para a vitória dos israelitas. Levantando o instrumento símbolo do poder e ação de Deus para libertar e sustentar Seu povo, Moisés estaria intercedendo diante de Deus pela vitória dos israelitas.
          A vitória não dependia dos recursos de Josué no campo de batalha, mas da atitude de Moisés no cume do monte. O verso 11 diz que quando Moisés erguia suas mãos o povo de Israel prevalecia (literalmente tinha força e era poderoso), mas quando Moisés abaixava a mão para descansar, os amalequitas é que ficavam fortes. Não havia mudança no número de soldados ou de armas envolvidos na guerra. Não era uma questão dos guerreiros terem mais ou menos vontade de guerrear. A vitória dependia de Moisés manter o bordão levantado.
          Alguém que observasse a guerra à distância poderia pensar que Moisés não estava fazendo nada de produtivo, apenas assistindo passivamente seu povo guerrear. Se fosse alguém com nossa mentalidade, iria até sugerir que Moisés teria mais utilidade se descesse do monte e participasse da guerra. É esta a vontade que sentimos nas crises: partir logo para a ação, fazer alguma coisa, tomar algumas providências, empreender alguns planos e outras atitudes que nos deixem ocupados. O que não suportamos é ficar parados enquanto a crise de desenrola diante de nossos olhos.
          Entendemos que este ato de Moises não era magia, mas sim uma demonstração pública de que ele e o povo dependiam de Deus para vencer aquela guerra. Levantar as mãos com o bordão era como dizer: “Deus, dependemos de Teu poder, estamos em tuas mãos”, pois tradicionalmente esta atitude de levantar as mãos é entendida como oração.
          Nas batalhas da vida precisamos agir com as armas que Deus nos tem dado naturalmente, mas acima de tudo, precisamos reconhecer que dependemos de Deus, clamar a Ele e pedir que, enquanto resolvemos os problemas, outros estejam intercedendo por nós em oração.
          É verdade que temos que empreender algumas ações e participar da guerra, mas a vitória depende da oração e não de nossa ação. Quanto mais tempo estivermos na presença de Deus, clamando a Ele, mais tempo estaremos com a vitória em nossas mãos.

3 comentários:

Wagner Amaral disse...

Interessante a interpretação acerca da presença de Moisés diante do Senhor.

Infelizmente, para muitos, a oração é aquilo que se faz quando nada se pode fazer.

Mas, à luz das Escrituras, or"ação" é a primeira ação do crente. Assim, orAÇÃO é a primeira ação para quem deseja realizar alguma outra ação.

Sérgio Gledson disse...

Mais um belissimo texto que nos desafia a sermos mais dependentes de Deus (em oração). Um ato que não só traz resultados, mas, determina os que verdadeiramente estão dependendo dEle.

Cleyton Maciel disse...

A interpretação fiel deste texto tem sido bênção pra mim já há alguns anos. Que possamos renovar a cada dia nossa fé na importância da oração e orarmos. Que sejamos aplicados à "teologia do quarto, do tempo a sós com o nosso Deus".